Vistorias custam o dobro a partir desta segunda-feira

A partir desta segunda-feira, 23, quem precisar fazer vistoria de veículos no Estado paga 128% mais caro em relação ao valor cobrado pelo serviço até a última sexta, 20. Os donos de veículos pagavam R$ 35,10, e, agora, terão que desembolsar R$ 80.detranbavistoria

Apesar de vigorar nesta segunda, o reajuste, estabelecido pela Secretaria da Fazenda da Bahia, foi publicado no Diário Oficial do Estado em dezembro do ano passado.

Com isso, o número de motoristas que fizeram vistoria no Departamento Estadual de Trânsito (Detran-BA) nas últimas semanas duplicou. Segundo dados do órgão, este mês cerca de 310 carros e motos foram inspecionados a cada semana  em Salvador. Nos meses anteriores a demanda era a metade desse número.

O reajuste assustou os proprietários, principalmente porque a partir deste ano veículos com mais de cinco anos de fabricação precisam passar pela inspeção para receber o Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo (CRLV). O documento   é obrigatório para circular em vias do país.

A mudança foi estabelecida pela Portaria 2.045 do Detran, publicada em  2012.   “Não sabemos a quem recorrer. Não há critério  para os aumentos. Eles estabelecem o preço que querem e temos que aceitar”, reclama o motorista Alandes Souza, 34 anos. Ele é um dos que  anteciparam a realização do serviço, por causa do reajuste.

Nova regra

O perito Domingos Lemos, responsável pelo setor de vistoria, explica que a regra já se aplica para placas até  2009.

“A obrigatoriedade do serviço é informada no comprovante de licenciamento. Primeiro, o condutor paga o licenciamento, em seguida, comparece ao Detran,  entre 7h e 12h, para  a vistoria. Paga a taxa do serviço, para, só a partir daí, ter direito ao CRLV”, diz o perito.

Até 2014, só veículos com mais de dez anos e  de carga e transporte tinham que fazer a vistoria anualmente. Em 2016, a regra será ainda mais rigorosa, pois se aplicará aos veículos com mais de um ano de fabricação. Com isso,  carros e motos emplacados em 2014 terão que ser inspecionados para obter o licenciamento.

A Superintendência de Trânsito de Salvador não soube informar quantos veículos foram apreendidos este ano por circularem sem o CRLV, mas conforme a assessoria,   o documento é cobrado nas blitzes do órgão.

Serviço também pode ser feito em empresas particulares

Por R$ 20 a mais, donos de veículos de pequeno porte  podem recorrer a uma empresa credenciada de vistoria (ECV). São empresas particulares, autorizadas pelo Detran,  que fazem a inspeção veicular.

Proprietários de carros de passeio e motocicletas pagam, em média, R$ 100. Para caminhões, vans e ônibus, o serviço custa R$ 130.

Wagner Vieira, diretor comercial da Ivecal, ECV localizada na avenida barros Reis, defende que “vale a pena” pagar um pouco mais. “O serviço aqui é feito em 20 minutos. O cliente conta com ar-condicionado, não enfrenta fila e sai no mesmo dia com o laudo em mãos”, justifica.

Após obter o laudo, o motorista precisa, ainda, ir à sede do Detran ou a um posto de Serviço de Atendimento ao Cidadão (SAC) para  apresentar o documento e solicitar o licenciamento.

Vieira lembra que o laudo de inspeção só não é emitido no mesmo dia quando é encontrada alguma irregularidade. “Neste caso,  o dono precisa fazer o reparo e retornar para uma nova vistoria”, explica.

A empresa conta com 27 boxes. “Aqui, fotografamos o número de chassi, enquanto no Detran ainda é feito decalque a lápis. Nossa inspeção também é mais rigorosa”, compara.

Apesar dos benefícios, a loja permanece vazia na maioria das vezes. Para ele, a procura não é maior porque muita gente ainda não sabe que pode pagar uma empresa credenciada.

Estrutura

Quem opta pelo Detran precisa enfrentar fila para ser atendido. O motorista Cristian Ribeiro, 38, diz que “perdeu a manhã” da última quinta na fila para a vistoria, e a tarde de sexta na fila para o pagamento.

“Estou aqui desde 11h, já são 14h e eu não fui atendido. Tive que pedir dispensa do trabalho. Eles mudaram a regra de licenciamento, mas não dão estrutura para atender o aumento da demanda”, criticou.  Fonte: Priscila Machado/A Tarde