Violência doméstica: o pai neste contexto

Entrelinhas-banner-central1A palavra pai sempre teve uma carga semântica muito forte. O pai, dentro do que chamamos de família, é aquele responsável pela educação dos filhos e, sabemos que o ato de educar se dá, muitas vezes, apenas pelo exemplo. Assim, em nossas vidas, a figura paterna é o espelho; são suas ações e atitudes que contribuirão para a formação de nosso caráter. O pai sempre foi muito mais que o responsável pela manutenção de uma família, como foi visto, sobretudo no século XIX, desde o século subsequente que essa concepção vem mudando devido ao fato de a mulher vir conquistando seu espaço dentro do cenário econômico, e, também, o conceito de família nuclear (pai, mãe e filhos) a cada dia ser mais retrógrado, tendo em vista as inúmeras possibilidades de formações que as famílias atuais apresentam, não tendo, necessariamente que conter esses integrantes.

Ainda assim, o pai permanece com sua relevância precípua, sujeito de grande destaque dentro de todo grupo social com ancestrais em comum, ou, ligados por laços afetivos, o que chamamos de família. Acontece que, lamentavelmente, ele tem se esquecido de seu papel neste grupo e a cada dia se torna uma ameaça dentro de seus lares. Quanto mais tento uma explicação para todos os crimes que pais têm cometido atualmente contra seus filhos e esposas, chego a conclusão de que não há explicação. Afinal, pensemos aí: se houvesse justificativa para tantas barbaridades, que tipo de seres humanos seríamos? Sem haver, já considero a raça humana um lixo. É asqueroso tudo que o homem é capaz de fazer. A cada nova notícia, vejo-me menos semelhante aos demais, sinto o desejo de me abrigar em uma redoma a fim de que o mal que penetrou e tomou conta da humanidade não me atinja. Daí, repenso e vejo que muitos precisam de mim e de tantos outros que insistem em ser diferentes. É isso que ainda me faz ter forças para denunciar todas as mazelas desta sociedade e, para tanto, uso a palavra como arma, com ela tento salvar vidas, salvar-me. Como disse Clarice Lispector: “Eu escrevo como se fosse para salvar a vida de alguém. Provavelmente, a minha própria vida”. Na verdade, escrevo para não morrer asfixiada em meus pensamentos, para não me deprimir ao indagar-me sobre o futuro dessa humanidade, para tentar resgatar os bons valores que sei que ainda existem dentro de muitos por aí, assim, tenho a esperança de estar salvando vidas através de uma quase autossalvação.  É o sentimento que os papais deviam ter – querer proteger os seus familiares, dar subsídios para que eles tornem-se pessoas do bem, solidárias, amáveis, que estudem e sejam capazes de inferir na sociedade, decidir sabiamente e não serem marionetes dos que estão no poder.

Todavia, muitos pais destroem suas famílias… O que “está na moda” hoje é a violência doméstica. Vemos pais covardes, seres nojentos que abusam sexualmente de suas filhas, engravidam-nas. Outros, espancam suas esposas, as matam, sem pensar nem mesmo em seus filhos que ficarão órfãos. Não há palavras para descrever atos assim, desvendar o que mentes doentias são capazes de fazer, que prazer conseguem ter com tanta atrocidade. O mundo tem mesmo (des)evoluído e a nós resta apenas andar na contramão de toda essa mudança e ver com orgulho e valorização aqueles que zelam pelo seu lar, tem carinho e respeito por sua família, são estes pais que nos fazem crer que o amanhã ainda pode ser diferente.

Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.