Vídeo: tio do bebê de 8 meses morto com suspeita de H1N1 critica o atendimento da UMMI e a saúde pública

O tio do garoto de 8 meses que faleceu na UMMI na quarta, 13 de abril, por volta das 14 horas, na UTI da unidade, com suspeita de H1N1, Ailvon Lopes, fez um vídeo no dia 14 de abril, do Hospital  Municipal de Teixeira de Freitas, onde está internado, com uma sobrinha,  ambos com os mesmos sintomas que levaram o bebê à óbito. Os sintomas são os mesmos da gripe suína e o sangue dele e da garota foram coletados e enviados para Salvador para realização de exames que vão confirmar ou não o vírus.

No vídeo, ele conta que a criança deu entrada na UMMI na segunda, sendo atendida pela pediatra Jane, “a qual o diagnosticou com simplesmente virose, não seguiu nenhum procedimento e o mandou de volta para casa”.

Mas, na quarta, às 8h da manhã, entretanto, os pais perceberam que o bebê estava com os lábios arroxeados e o levaram de volta ao hospital infantil, onde foi posto na UTI e entubado, falecendo à tarde, conforme relatos de Ailvon.

Ailvon conta ainda que resolveu as questões de praxe para o funeral e foi buscar os avós do menino, a 60km de Teixeira, quando ele próprio já estaria sentindo-se mal, coriza, dor de cabeça, no corpo, ardor nos olhos, tosse seca. Tendo os sintomas se agravado ao ponto de não conseguir permanecer no velório e ter procurado um hospital particular, por ter plano de saúde, segundo ele, mas, o médico plantonista o mandou ir para o Regional, que o caso dele não poderia ser ali resolvido.

Ele mostra o local em que está com a sobrinha, o qual chama de “depósito”, uma área de isolamento, possivelmente, improvisada pela direção do hospital, para os casos de suspeitas da gripe suína.

Ainda sobre o garoto, emocionado, ele desabafa: “A H1N1 ainda é suspeita, mas o meu sobrinho faleceu. A doutora Jane, a médica Jane, apenas disse que meu sobrinho tinha virose. Ela não parou para fazer exames, ela apenas deu diagnóstico, e o diagnostico dela foi de morte”.

 Ailvon critica a saúde publica do país e  também a precariedade dos planos de saúde e diz que espera que o vídeo ajude a saúde do Brasil a melhorar.

A um jornal da cidade, a médica Lívia Neves Ferreira, coordenadora da UMMI, relatou que não é o primeiro caso suspeito e disse que até o momento nenhuma grávida ou criança lá deu entrada com a doença. A coordenadora rebate a fala do tio do garoto ao dizer que ele fora atendido pela pediatra Andréa Bretz e que havendo a suspeita de gripe com sintomas avançados a criança foi encaminhada ao isolamento, bem como teriam sido tomados todos os cuidados de triagem. Além do mais, o menino teria, segundo a matéria deste jornal, dado entrada na UMMI com estado avançado de dores no corpo e, por isso, não resistido e falecido.

O teor da entrevista da coordenadora destoa não apenas da declaração de Ailvon Lopes, mas também das denúncias que o Pauta Diária recebeu sobre o caso. Onde pessoas relatam que cinco profissionais que tiveram acesso ao garoto estão em pânico porque não teriam tomado as medidas cautelares em casos de H1N1 e que a Unidade não disporia de equipamentos de segurança, como as máscaras respiratórias, em quantidade suficiente para os funcionários, além de ainda haveria gente não imunizada lá trabalhando.

A matéria com a fala de Lívia ainda diz que a mesma afirma que todos os familiares do menino e a equipe médica foram imunizados.

Em tempo: Chegou à Redação do Pauta Diária a informação de que exames clínicos teriam apontado meningite para o caso de Ailvon. Estamos tentando contato com o Hospital para confirmar. Entretanto, no vídeo, o próprio diz ser o vírus H1N1. Ademais, isso não desmerece o teor das denúncias aqui expostas e fica a preocupação com as ‘verdades’ que chegam à população em um momento no Brasil em que mais de 70 pessoas já morreram por H1N1 apenas em SP. E, ainda, fica registrada a preocupação diante de diagnósticos imprecisos, sendo H1N1 ou meningite, uma criança faleceu por, supostamente, negligência médica.

Confira matéria sobre a denúncia na íntegra aqui.

Por Pauta Diária