Tráfico e o consumo de drogas crescem entre menores, diz delegado

O número de apreensões de entorpecentes resultantes do tráfico praticado por menores na cidade de Itabela cresceu nos últimos anos, segundo dados da Delegacia de Polícia Civil.delgado

Em 2013, 70% das ocorrências de apreensão de drogas registradas na delegacia local, sendo a principal delas o crack, teve autoria ou participação de menores. Um ano depois, esse número subiu para mais de 80% das ocorrências com envolvimento de menores entre 14 e 17 anos.

Além disso, também houve aumento no número de casos de furtos, assaltos, roubos, homicídios e brigas entre facções rivais nos quais menores aparecem como principias autores.

O delegado da Delegacia de Polícia Civil de Itabela, José Hermano Costa, explica que muitos dos casos de furto e arrombamento registrados em Itabela têm envolvimento de menores viciados. “Eles estão procurando meios de manter o vício do crack e, para isso, recorrem aos delitos. Podemos dizer que o aumento dos registros de apreensões de entorpecentes cresceu em função, principalmente, do consumo dessa droga por adolescentes.”

De acordo com José Hermano Costa, os menores estão sendo recrutados por traficantes para trabalhar a serviço de facções de alta periculosidade. Ele descobriu que uma mulher, que não teve o nome revelado, vem chefiando uma “boca de fumo” na cidade e usa adolescentes, inclusive os próprios parentes, para comercializar e vigiar o movimento no local.

As várias ocorrências policiais registradas na última sexta-feira (10) comprovam o crescimento de número de crimes com a participação de menores e justificam a preocupação das autoridades policiais.

Em um dos casos, cinco menores foram apreendidos e outro morreu baleado após tiroteio entre gangues rivais e confronto com a Polícia Militar. Às 10h, dois menores foram aprendidos com bicicletas roubadas. Às 18h, um adolescente de 15 anos foi flagrado com 33 pedras de crack e 6 buchas de maconha.

De acordo com José Hermano Costa, o trabalho de repressão ao tráfico em Itabela vem sendo realizado diariamente pelas polícias. No entanto, segundo ele, somente o trabalho repressivo não é suficiente.

O que dificulta é o envolvimento de menores, pois boa parte acaba não sendo devidamente acompanhada pelos órgãos de saúde pública, explica o delegado. “Depois de apreendidos e encaminhados ao Ministério Público, [os menores] deveriam ir para uma casa de internação. Sem esta possibilidade, por falta de local, terminam voltando às ruas para consumir e vender drogas novamente, como se nada tivesse acontecido. É como se a Polícia e a Justiça estivessem o tempo todo enxugando gelo”, afirma.

O delegado destaca que a grande maioria dos menores apreendidos é viciada em crack. “Muitos acabam retornando ao mesmo delito porque falta ainda o apoio de um grande centro estadual que trabalhe essa problemática, não apenas junto ao adolescente, mas também junto às famílias”, analisa. Fonte: Radar64