Duas testemunhas sobreviventes da chacina na fazenda Santa Lúcia, no dia 24 de maio, informaram que os policiais agrediram os sem-terra antes de executá-los.

Dos quinze sobreviventes da ação policial em Pau D’Arco, sudeste do Pará, oito já foram localizados e ouvidos pelo Ministério Público. Na ação, 10 pessoas que estava acampadas na fazenda foram mortas, informou o G1.

Para garantir a segurança das vítimas, os sobreviventes devem entrar ainda esta semana em programas de proteção à testemunha.

Na versão dos agentes de segurança, policiais civis e militares foram até a fazenda para cumprir 16 mandados judiciais de busca e apreensão. Ao chegar no local, os posseiros reagiram à presença dos policiais e iniciaram o tiroteio. Os sobreviventes alegam que a agressão partiu da polícia.

“A gente começou a correr pro mato. Foi quando comecou muita chuva forte. Nós sentamos, puxamos aquela lona pra cobrir a gente. A gente não ouviu eles chegando. Chegaram a pé e já gritaram: ‘não corre não que vai todo mundo morrer’”, disse uma mulher que sobreviveu ao tiroteio.

Uma outra testemunha diz que os policiais foram pra cima dos trabalhadores.

“E foi atirando para cima da gente. Teve um deles que levou um tiro perto de mim que até me sujei de sangue”, relata a segunda testemunha, cuja identidade também foi preservada.

“Aí tornava a gritar de novo: ‘bota a mão na cabeça pra morrer’”, narra a mulher.”Parece que tava pegando de um a um”, destaca.

Na avaliação dos sobreviventes, os policiais “chegaram para matar”.

Um relatório feito pela Comissão de Direitos Humanos da pela Assembléia Legislativa do Pará concluiu que não houve confronto na fazenda, e que há indício de que policiais atrapalharam as investigações ao retirar corpos da cena do crime e manipularem armas apreendidas dos sem-terra.