Programas sociais dão apoio a Dilma no norte mineiro

A estrada que leva a Bonito de Minas (MG), a 644 km de Belo Horizonte e a 223 km da divisa com a Bahia, é margeada por árvores com troncos retorcidos e folhas amareladas. O cenário local remete ao sertão nordestino.

Além do clima quente e seco, a região se assemelha ao Nordeste brasileiro por ter dado uma ampla vitória à presidente Dilma no primeiro turno das eleições deste ano.

No município, com área equivalente a quase três vezes o tamanho de São Paulo, 70% dos 10,5 mil habitantes vivem em 35 comunidades rurais. A maior parte delas acessíveis por estradas de areão vencidas apenas por veículos com tração nas quatro rodas.

Partilha de minasUma vez por semana, comerciantes se revezam para buscar, de caminhão, os moradores da zona rural para fazerem compras na cidade.

A dificuldade de acesso começou a ser sanada quando a prefeitura ganhou máquinas do governo federal, como uma motoniveladora, usadas para melhorar as estradas.

“O desejo da população por acesso é tanto como por educação e saúde”, afirma o prefeito José Reis (PPS).

Com 54% dos moradores beneficiados pelo Bolsa Família, Bonito também recebeu os principais programas sociais do governo Dilma.

Estão em construção residências do Minha Casa, Minha Vida; uma cubana se somou aos quatro médicos da cidade; e dezenas de famílias recebem uma bolsa paga aos afetados pela estiagem.

O impacto dos programas federais em Bonito reflete o que ocorre nos outros 15 municípios da microrregião de Januária, que deram a maior votação para Dilma em Minas Gerais -78% dos votos.

E essa alta média foi liderada pela seção de uma pequena escola, a 46 km do centro de Bonito de Minas, onde todos os 69 votos foram no número da presidente.

Um deles foi o de Domingos Armindo Ribeiro, 54, servente da escola municipal na qual 22 alunos de quatro diferentes séries dividem uma única sala de aula.

Ele conta que a vida da família mudou completamente nos últimos anos por causa dos programas federais.

“Eu, para criar meus filhos, era com um machadinho nas costas, cortando lenha. Antigamente era duro. Hoje é mais fácil, cada um dos meus filhos tem uma ajudinha do governo”, afirma Ribeiro.

Por medo de perder os benefícios, conta, nem cogitou votar em Aécio Neves. “A pessoa não quer trocar o certo pelo duvidoso. Antes um na mão do que dois avoando.”

Marianne Cardoso, 31, e o marido Darci Cardoso Filho, 34, empresários do ramo de malharias em Jacutinga
Marianne Cardoso, 31, e o marido Darci Cardoso Filho, 34, empresários do ramo de malharias em Jacutinga

ASCENSÃO
Ainda no norte do Estado, mas já a 298 km de Bonito de Minas, na microrregião de Janaúba, as ruas de terra de Nova Porteirinha são seguidas, de um lado, por dezenas de quilômetros de canais para irrigação de fruticulturas, e, do outro, por plantações de banana prata, principal fonte de renda do município.

Com ajuda do crédito rural, o produtor Valdeir Costa, 41, conseguiu trocar, há cinco anos, a vida de empregado em uma fazenda onde trabalhava 12 horas diárias para viver da produção de banana em sua própria terra.

Escolheu votar em Dilma porque “ela facilitou a vida dos pobres”. “Para a gente fazer empréstimo ficou muito bom. Agora dá pra tocar aqui e tirar o sustento só da roça. É melhor trabalhar pra gente mesmo, é mais à vontade.”

Enquanto Dilma é vista no norte mineiro como a que deu continuidade aos programas sociais de Lula, Aécio é lembrado com ressentimento, principalmente pelos professores da rede pública.

Entre as reclamações estão a de que, quando governador, o tucano congelou os salários. “A educação de Minas é bonita só na televisão, infelizmente a realidade é outra, totalmente diferente”, critica a professora Eliane Lima, 38. Folha SP