PM e esposa são indiciados como suspeitos de estupro de adolescentes

Um soldado da Polícia Militar e a esposa dele foram indiciados como suspeitos de estupro de duas adolescentes, de 12 e 14 anos, na cidade de Medeiros Neto, no extremo-sul da Bahia, de acordo com o delegado responsável pelo caso, Sanney Simões. O documento foi remetido ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) na segunda-feira (6), que pode oferecer a denúncia à Justiça, se avaliar procedente. A queixa foi registrada pelas famílias das vítimas.photo

O suspeito foi afastado das funções ostensivas e transferido para Teixeira de Freitas, cidade vizinha, para desempenhar atividades administrativas. “São dois inquéritos, um para cada vítima. Não posso dar detalhes”, informou o delegado responsável. Eles não terão a prisão pedida pela Polícia Civil. “Ele se apresentou espontaneamente, não fugiu aos procedimentos processuais. E as ameaças informadas seriam anteriores à denúncia. Se houver [registro de ameaça], eu impetro [o pedido de prisão] na hora”, disse o delegado.

A Polícia Militar informou que o suspeito negou as acusações durante depoimento à polícia. De acordo com a PM, o suspeito foi afastado das atividades operacionais e transferido para a função administrativa. “Em razão da gravidade e sensibilidade de uma denúncia, o comando da unidade a que pertence o policial optou por afastá-lo da atividade operacional e empregá-lo na atividade administrativa”, informou a nota da PM no dia 2 de outubro.

De acordo com informações das famílias das adolescentes ao G1, elas foram chamadas para fazer faxina na casa do policial. Primeiro, teria ido a menina de 12 anos, a pedido da esposa da vítima. Em seguida, a de 14 também teria aceitado o serviço. “Uma delas contou para a mãe da outra que elas estavam sendo abusadas. Uma ele abusou quatro vezes e a outra foram seis vezes”, revelou um parente, que preferiu manter a identidade preservada.

As famílias tiveram conhecimento do abuso sexual há cerca de 15 dias, mas as meninas já trabalhavam na casa do policial há quase um ano, informou uma das famílias. “Depois que ficamos cientes, denunciamos para a delegacia. Fomos no Conselho Tutelar e conversamos com o promotor [do Ministério Público da Bahia]. Uma delas tem duas semanas que não vai à escola por medo. Elas estavam sendo ameaçadas de morte por ele. Ele [policial] tinha que honrar essa farda. Queremos justiça”, reforçou uma parente.

Através de nota, a Polícia Militar esclareceu que recebeu a denúncia sobre o fato e instaurou procedimento para apuração das “reais” circunstâncias. Ainda segundo a nota, o PM, quando ouvido, “negou de forma veemente as acusações”. Fonte: G1