Padre acusa policial militar de agressão em hospital de Salvador

O padre José Jorge Brito de Souza, da paróquia Nossa Senhora Auxiliadora, no bairro do Pau Miúdo, em Salvador, acusa um policial militar de tê-lo agredido na noite de quarta-feira, 24 de julho, enquanto prestava socorro a uma pessoa no Hospital Geral do Estado (HGE).

De acordo com o padre, ele chegou à unidade de saúde por volta das 20h30, quando parou o veículo em frente ao hospital, sendo orientado pelo segurança a sair do local. “Só tinha uma ambulância e um carro da prefeitura no lugar e várias vagas. O segurança mandou tirar o carro e eu disse a ele que só sairia depois que resolvesse o problema da pessoa com dor. Ele foi até a recepção do hospital e disse para não atender a mulher enquanto o carro não fosse retirado. Começamos a discutir e ele chamou a polícia”, afirma o padre.

O padre diz ainda que a equipe da Polícia Militar já chegou até ele recolhendo seus documentos e a chave do carro, quando um dos oficiais o agrediu. “Ele me pegou pelo colarinho, me engarguelou, e deu um soco no meu rosto”, afirma.

Depois da agressão, segundo o padre, ele foi conduzido ao posto policial que fica dentro do hospital, onde aguardou para ser levado até uma delegacia, que registraria o caso. “Fui constrangido moralmente, chacoteado. Enquanto estive lá, os policiais faziam comentários irônicos. Diziam em voz alta que padre não era autoridade, somente para seus fiéis”, diz.

Em nota, a PM descreveu que o padre chegou ao HGE transportando a irmã e estacionou o veículo no local destinado às ambulâncias. A PM informa que seguranças pediram, após o atendimento médico, que ele parasse o carro em outro local, o que não teria sido atendido. “Diante da negativa, foi solicitada a presença da PM para gerenciar a situação, que mais uma vez solicitou a retirada do veículo por se tratar de unidade de emergência, já que a referida vaga é destinada exclusivamente a ambulâncias”, disse a nota.

Segundo a PM, o pedido não foi acatado e o policial deu voz de prisão por desobediência e houve resistência à prisão. A polícia acrescenta que o homem não se identificou como padre e nem usava batina no momento da ocorrência, mas acrescenta que isso “não caracterizaria prerrogativa para estacionar o carro na vaga destinada às ambulâncias”.

Um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) foi registrado da Delegacia Especial de Atendimento à Mulher (Deam). Além disso, a PM informa que as denúncias sobre excessos de policiais militares podem ser feitas na ouvidoria, pelo telefone 0800 284 0011 e pelo site da  corporação.

Fonte: G1 Bahia