Os programas policiais e o riso: uma contradição

Entrelinhas-banner-central1Às vezes, ouvir alguns programas policiais das rádios da cidade é engraçado…Estranho, né?! Não deveria. Mas, a verdade é que para àqueles que possuem certa criticidade é, porque ouvir repórteres “tropeçando nas palavras”, enfatizando aspectos irrelevantes das reportagens, aumentando volta e meia a entonação da voz – para dar ênfase a coisas banais – entre outras gafes jornalísticas cometidas por alguns radialistas do município devem ser vistos como cômicos a fim de tornar a vergonha menor.

Só que não há como evitar indagações acerca da formação profissional destes indivíduos, pois queremos saber de que instituição de ensino vieram, é bom para sabermos os profissionais que estão entrando no mercado, até mesmo para debatermos com exemplos a necessidade de diploma de nível superior para exercer o Jornalismo em todos os veículos de comunicação – já que muitos (tomara) não possuem formação acadêmica.

Se assim for, melhor. É bem mais confortante achar que estes repórteres sensacionalistas que temos aqui não passaram por longos anos de aprendizagem para trabalhar na área. Porque seria dramático para quem acredita no ensino superior constatar que repórteres, radialistas de programas policiais, falam a “gente temos”, erram o nome das pessoas, repetem incansáveis vezes a mesma informação, ora fala como radialista, dando a notícia (mesmo que mal), ora intercala discursos religiosos, de cunho moralizante e até mesmo de conversão (o tom de voz se assemelha ao destes líderes religiosos durantes cultos a Deus), quando está ali para passar uma informação.

Não dá para entender o despreparo destes “profissionais” da área, porque até temos bons repórteres policiais na cidade, poderiam estes então dar umas “dicas” para certos desavisados que invadiram as emissoras de rádio de Teixeira e estão contribuindo para alienar ainda mais nossa população. Para que a população emancipe-se é preciso que a impressa deixe de servir ao capital e passe novos valores ao povo. Porém, tais valores devem ser repassados de maneira séria, com uso de uma linguagem não rebuscada, mas, no mínimo, que respeite às regras de concordância verbal. A tendência do indivíduo é repetir o que ouve daqueles que eles consideram ter mais conhecimento. E profissionais da imprensa, na teoria, têm mais conhecimento, está faltando eles buscarem estudar mais para que isso se torne uma prática.

A ideia não é fazer uso do discurso elitizado, mas proporcionar aos ouvintes conviverem com a variante que é usada pelo dominador para reprimi-los. Apenas fazendo isso, passando a notícia com objetividade, clareza, focando o que realmente importa no fato, os programas policiais seriam mais interessantes a todos, teriam um público mais eclético de ouvintes. Mesmo que não mais proporcionasse a alguns bons momentos de riso e descontração ao criticá-los, afinal, devem se importar com o trabalho que lhes cabe, e um programa policial não deve estar para a comicidade.

É deprimente a situação! Não é pior porque mesmo sem muita qualidade, acabamos ficando informados sobre algo, mesmo que de um jeito não tão sério, impessoal, objetivo, como deve ser toda imprensa. Mas, como se diz: o que vale é a intenção.

 Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.