OS LUTOS NA ADOLESCÊNCIA: PERSPECTIVAS CRÍTICAS EM ABERASTURY & KNOBEL

Maiane

É imprescindível relacionar a adolescência como experiência clínica a manifestações comportamentais que beiram a patologia. Os adolescentes examinados nos grupos de estudos desenvolvidos por Aberatury e Knobel (1981) são marcados por formas de adaptação que os inserem em um reduto de “contradições, ambivalências, confusões, fricções com o meio familiar e social.” Os autores em epígrafe escrevem acerca do desencantamento dos adolescentes pelo mundo:

Tanto as modificações corporais incontroláveis como os imperativos do mundo externo, que exigem do adolescente novas pautas de convivência, são vividos no começo como uma invasão. Isto o leva a reter, como defesa, muitas de suas conquistas infantis, ainda que também coexista o prazer e a ânsia de alcançar um novo status. Também o conduz a um refúgio em seu mundo interno para poder relacionar-se com seu passado e, a partir daí, enfrentar o futuro. Estas mudanças nas quais perde a sua identidade de criança, implicam em uma busca de uma nova identidade, que vai se construindo num plano consciente e inconsciente.(ABERASTURY&KNOBEL, 1981, pg. 14).

Com efeito, a adolescência caracteriza-se pelo luto, luto pelo corpo infantil, evidenciado na formação de seios e pelos, bem como na evolução dos órgãos sexuais, luto pela sexualidade, aparecimento do sêmen no menino e da menstruação na menina e exigência de uma opção sexual de pares, luto pelos pais, isto é, pela família, visto que agora os filhos já não viverão mais na sombra e dependência exclusiva de seus pais.

É mister, neste período, convencê-lo a aceitar estes lutos, circunstância em que se formará uma nova identidade, configurada na perda da identidade infantil e a para a identidade adulta.  Ocorre que, a morte destes estágios se torna doloroso tanto para o adolescente quanto para os seus pais, que neste interim “encontram dificuldades para aceitar o crescimento como consequência do sentimento de rejeição que experimentam frente à genitalidade e à livre manifestação da personalidade que surge dela.” (ABERASTURY & KNOBEL 1981, pg. 15).

Não há dúvidas de que o adolescente se sente deslocado do seu mundo, da família, necessitando-se apropriar do seu novo corpo, e do seu espaço nas instâncias sociais que se anunciam para ele.   Desse modo, frente a várias manifestações recebidas e experiências estabelecidas com a modernidade e o vazio existencial, os adolescentes criam para si vários personagens.

Em resumo, acredita-se que a depressão e o luto ganham corpo e densidade na adolescência, com flutuações de humor e estados de ânimo depressivos,  justificativa para muitos recorrerem  a prática de crimes, como possibilidade de evasão desta realidade inócua, para outra, segundo eles mais prazerosa.

Maiane tirinha

Formada em Letras Vernáculas pela Uneb/campus X
Pós-graduada em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura/ Uniasselvi
Pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos (Eja) / Uneb