O doleiro Vinícius Claret, conhecido como Juca Bala, preso na última sexta-feira (3) no Uruguai, era peça-chave do esquema de propina da Odebrecht encabeçado pelo ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral.

Conforme revelado nesta segunda-feira (6) pelo “Jornal Nacional”, Na porta da loja de pranchas dele, em Punta Del Este, havia um número de telefone, que era usado tanto pelos surfistas quanto pelos demais envolvidos no esquema de corrupção com a empreiteira brasileira.

Este mesmo número de telefone fixado na porta estava na agenda da ex-secretária do setor de propinas da Odebrecht, Maria Lucia Tavares.

Claret era, segundo os investigadores da força-tarefa, ele era usado pela empreiteira para fazer dinheiro.

O envolvimento de Juca Bala foi revelado pelo ex-funcionário dos bancos AOB e sócio do Meinl Bank, em Antíqua, no Caribe, onde a Odebrecht movimentou cerca de 2,6 bilhões de dólares, mais de R$ 8 bilhões.

Parte do lucro da empreiteira baiana em obras no exterior era depositado em contas de offshores ligadas à empresa, segundo a reportagem. A partir daí, uma sequência de transferências tentava esconder a origem dos valores, até que chegasse ao Brasil. E esta era a responsabilidade de Claret.

O doleiro, mesmo vivendo em Montevidéu, tinha uma estrutura montada no Rio para entrega e retirada de valores. Pelas informações registradas na agenda da ex-secretária da Odebrecht, o endereço dele no Brasil era uma sala no Centro Empresarial Mourisco, em Botafogo, na zona sul do Rio.

Os investigadores da Lava Jato suspeitam que ele agia como um banqueiro clandestino.

O Jornal tentou contato com os advogados de Claret, mas não teve retorno.