O que falta

Luciano PiresFinal de ano é sempre ativo para palestras, olha só o que aconteceu comigo nas últimas duas semanas: palestrei em São Paulo para a Ford, no segmento automobilístico; em Cuiabá para o SENAR, na área de educação rural; em Cabreúva para a Böllhoff, no segmento industrial; em Curitiba para a Volvo, também no segmento automotivo, e em Goiânia para o Ministério Público de Goiás, no setor do serviço público. E hoje estou com a Consinco, no segmento de tecnologia da informação, em Ribeirão Preto. Um pouco antes palestrei em Cuiabá para a IFMT, no setor da educação; na Bahia para o SimpoVidro, segmento vidreiro; em Minas Gerais para a Aperam, no setor do aço; em Ribeirão Preto para a Faculdade de Odontologia; em Foz do Iguaçú para os Agentes do Desenvolvimento do Sebrae… E para muitos, muitos outros.

Nos últimos anos viajei por todo o país, para completar o Brasil só falta Fernando de Noronha. O mais legal na profissão de palestrante é exatamente isso: o contato com diversos setores da sociedade, não só conhecendo cidades e pessoas de regiões diferentes, mas segmentos de atividades totalmente distintas.

Muito bem, já contei que sou um viajante. Agora quero ir ao que realmente interessa. Em todos os lugares em que estive palestrando encontrei grupos de pessoas promovendo alguma ação efetiva. Eram 100, 400, 1000 e até 3000 pessoas reunidas, todas, sem exceção, buscando fazer algo melhor, crescer, ampliar negócios, aumentar seus repertórios, inaugurar projetos, comunicar objetivos, planejar o futuro, conhecer pessoas. Nunca estive num evento com platéia de resignados esperando o futuro acontecer. E isso é impressionante, sabe por quê? Porque sou apenas um dos milhares de palestrantes que circulam pelo Brasil diariamente, cada um deles topando com uma realidade semelhante à que descrevi. E se somos milhares, significa que falamos para milhões. Todo dia. Em todo o país.

Por outro lado, raramente vi na televisão, no jornal, no rádio, algum dos eventos dos quais participei. Não vi a notícia de que milhões de brasileiros e brasileiras estiveram reunidos para trabalhar efetivamente por um futuro melhor. Isso nunca é notícia. No entanto, são milhões. Todo dia…

Encontrar essa gente é o que ainda me dá esperança de que conseguiremos construir um Brasil no qual valha a pena viver, crescer, criar nossos filhos, confiar nos que nos representam, sentir segurança, felicidade e orgulho. É gente demais querendo isso, não dá para não dar certo.

Bem, mas se somos milhões verdadeiramente interessados, o que é que falta? Se eu fosse ficar no trivial, diria que falta educação, faltam políticos honestos, faltam corruptos na cadeia, etc. Mas não acho que seja isso o que realmente falta.

O que falta mesmo é conectar as pessoas. Falta que os milhões interessados em fazer com que suas empresas, seus negócios, suas carreiras evoluam, comecem a pensar o mesmo para a nação.

Quero que minha empresa cresça, que seja um sucesso, que proporcione meu sustento e dos meus. Mas quero que isso aconteça de forma ética, enquanto contamino outras pessoas com ideias, com inspiração, com orientação, com iluminação. Quero ajudá-las a desenvolver ideias próprias, a entender causa e conseqüência, a perceber quando estão sendo manipuladas. E posso fazer isso palestrando, vendendo pão, produzindo parafusos, dirigindo um táxi ou trabalhando como engenheiro!

Quero que meu sucesso tenha um propósito maior que “o meu” sucesso. Quero que você seja bem sucedido junto comigo.

Já pensou se aqueles milhões passarem a pensar – e agir – nessa direção?

Luciano Pires