O desrespeito aos outros impera e cresce número de motos com ‘Kadrons’ nas cidades

Entrelinhas-banner-central1Dentre às normas que regem o trânsito existe uma que diz que é proibido fazer alterações no veículo sem a devida autorização dos órgãos competentes. Desta forma, os detestáveis, por mim, “Kadrons” – como é conhecido pelos seus adeptos, são permitidos desde que o Detran avalie e permita seu uso. Outro requisito é que respeite a lei que estabelece um limite de ruído de 3 decibéis acima dos escapes originais APENAS. O problema é que nossos agentes de trânsito, em nível nacional a crítica, não são equipados com decibelímetro, ou seja, é impossível uma severa fiscalização e punição dos perturbadores do sossego. Os agentes, quando multam, o fazem ‘de ouvido’. Mas, o assunto que abordaremos hoje diz respeito mesmo às normas de boa conduta, respeito aos semelhantes e cidadania.

É comum estarmos em nossas residências sossegados, descansando. Ou, em situações graves, com pessoas enfermas, que precisam de silêncio, tranquilidade para se restabelecer e, de repente, ouvi-se um barulho imenso, quase que ensurdecedor, duradouro, só tendo término após o indivíduo sair das proximidades daquela rua. Estamos a falar daqueles que modificam suas motos (na maioria das vezes são estes tipos de veículos que apresentam tais características), retiram o silenciador do escapamento e/ou instalam equipamentos que aumentam seu ruído.

Tais sons emitidos por estas motocicletas perturbam aos moradores das ruas e avenidas e aos transeuntes da cidade de Teixeira de Freitas. Em alguns bairros a situação é muito crítica. Há casos em que a polícia intervém, prende, mas, devido às brechas na lei e por não ser algo tão grave em vista de outros fatos, estes voltam às ruas e retornam às suas práticas desrespeitosas. Aqui não estamos fazendo uma crítica a quem quer modificar seus veículos – mesmo achando que os mesmos são projetados para atender às nossas necessidades, assim, tudo que se inventa para “incrementar”, não passa de vaidade, desnecessário na grande maioria das vezes.

Entretanto, a intenção é, sim, tecer crítica ferrenha aos irresponsáveis e inconsequentes. Sujeitos sem noção alguma de cidadania, que trafegam por nossas ruas e avenidas, a qualquer hora do dia ou da noite, acelerando suas motos e atrapalhando, incomodando as famílias de cidadãos trabalhadores que apenas almejam paz dentro de seus lares. E para tanto, necessitam da colaboração daqueles com que dividem o espaço urbano. As pessoas deveriam desenvolver a autocrítica e analisar melhor seus atos, antes de sair por aí cometendo ações imprudentes, ou melhor, bestiais, boçais. Porque ter uma motocicleta que incomoda por onde passa é o cúmulo da falta de perspicácia. É ser realmente burro. Basta pensarmos com a razão, a inteligência, o raciocínio – esta capacidade que nos distingue dos demais animais – veremos que não há motivos sensatos para se “desfilar” com um veículo que emite um som acima do permitido pelas normas, sabendo que está prejudicando a harmonia da cidade, os tímpanos dos outros e, sobretudo, o seu, pois mantém uma maior proximidade ao ruído.

Mas, atualmente, difícil é encontrar alguém que haja com a razão. A humanidade decresce no quesito inteligência (quando esta deve ser usada também para resolver problemas sociais e não somente econômicos) a cada dia. Tem-se investido muito na aquisição de saberes, aqueles que obedecem, atendem aos interesses da lógica capitalista. Porém, quase nada sobra para educar socialmente os indivíduos deste país. Educar, no sentido de fazê-los entender que fazem parte de um todo chamado SOCIEDADE, e esta é regida por normas e leis, nem sempre criadas pelo Estado, mas por todos que têm compromisso ético e social e sabem o que é necessário para manter a boa convivência em grupo, com ênfase na reciprocidade de deveres e direitos.

 Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.