Miro eleito. Eu, você, todos nós sabíamos

entrelinhas

Ando ausente, eu sei. Gostaria de escrever com a frequência ideal para se manter uma coluna, entretanto, ser mãe, trabalhadora, dona de casa tem me tomado o tempo e as forças se exaurindo. Perdoem-me! Mas, de vez em quando, não consigo segurar essa vontade louca de pôr as ideias no papel e dividi-las com vocês e deixo muita coisa para depois e eis-me aqui.

Eu, que considero a sessão da Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas, por vezes, um espetáculo circense, onde alguns palhaços por nós eleitos dão um espetáculo boçal, daqueles que de tão sem graça, achamos graça, não poderia deixar de comentar a eleição para a nova mesa diretora da Casa.

Que curioso! A vitória foi do edil Tomires Barbosa (PTB), o Miro, aquele que havia assinado para que fosse instaurada Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar indícios de irregularidades entre o município e os contratos com a Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (Oscip), representada em contratos pelas empresas Sistema Sustentável de Apoio Técnico (Sisat) e Entidade Geradora de Emprego e Renda no Terceiro Setor (Egertes) ­­– funcionários desta última andaram fazendo paralisações algumas vezes por conta de SALÁRIOS em atraso.

Disse   HAVIA porque após colocar sua assinatura no documento, o nobre vereador, que, a meu ver, detém um dos melhores discursos da Câmara atual, fez um ofício solicitando a RETIRADA DE SEU NOME DO REQUERIMENTO pouco antes da sessão em que o assunto estaria em pauta para votação. O fez porque havia se tornado naquele importante dia líder do governo na Câmara. Mas, ainda assim, a CPI foi aprovada, só deve terminar em pizza, como dizem. Ah! Miro é o relator do processo…

Então, na época, agosto, ventilou-se nos poucos veículos de imprensa não comprados pela prefeitura que o prefeito empreendedor (sempre rio ao lembrar este prêmio de JB) prometera ao edil exatamente a presidência da Câmara. Mas, convenhamos, segundo uns e outros ele elegeu Dilma aqui, né?! Com certeza, usou seu poderio de marqueteiro e conseguiu convencer os treze vereadores que consideraram Miro mais apto ao cargo que Ariston e sua chapa, que obtiveram somente seis votos.

As más línguas falam em jogo de cartas marcadas. Como? Só porque em agosto ele retirou o nome tentando evitar a instalação de uma CPI que poderia representar um dos maiores escândalos da administração João Bosco, por isso/para isso (?) fora escolhido líder da bancada do prefeito na Casa e, por baixo do pano (dizem) prometeram a ele a presidência? Ora! Foram só boatos. Uma pena (?) a baita coincidência, e/ou, a profecia do prefeito ter se cumprido.

O legal disso tudo é que se viu mais palhaçada além dessa votação de fachada. O vereador que perdeu usou a tribuna e detonou com os colegas: “o sistema é bruto e a nica rola”. Qualé, mermão! Perdeu, perdeu. Agora não adianta esbravejar, contar o que todos sabem: os colegas (só eles, né?!) são corrutos. Se Adriano Souza pediu mesmo um carro e 50 mil eu nem me surpreenderia, mas, Juvenal das Laranjas!? Poxa! Decepção.

Como seria, gente, Adriano e o das laranjas votariam na chapa concorrente assim, facinho? Mesmo estando eles na de Miro? É isso mesmo, produção?

Parodiando o slogan da prefeitura, este resultado, eu, você, todos nós sabíamos. Ainda assim, confesso que, desta vez, fui surpreendida pela forma escancarada como tudo ocorreu.

Como diria Machado de Assis: “Ao vencedor, as batatas”.

 

Carla Félix é formada em Letras Vernáculas pela Uneb/Campus x. Revisora, redatora e editorialista; atua em jornal e sites de notícias da cidade.