Lençol freático de Eunápolis pode estar contaminado com combustível

Água coletada para a Semab
Água coletada para a Semab

Toda a água subterrânea existente na área urbana de Eunápolis, denominada de lençol freático, ou parte dela, pode estar contaminada por combustível derivado de petróleo.
A suspeita foi levantada há alguns dias pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semab) e Conselho Municipal de Meio Ambiente (Commam), após constatar que, pelo menos, dois poços artesianos existentes na região central da cidade têm a água contaminada por combustível.
A primeira evidência deu-se com uma denúncia feita por proprietários de uma loja da Rua Pedro Álvares Cabral, que constataram a contaminação e levaram uma amostra da água coletada para a Semab. Inicialmente, levantou-se a suspeita de que um posto de combustíveis existente na vizinhança da loja seja o contaminador. A partir daí, a Semab fez uma coleta de água no poço artesiano desativado que há no próprio autoposto, constatando estar aquela água também contaminada.
O auto posto foi informado da situação e se defendeu, apresentando documentos – aos quais a reportagem do RADAR 64 não teve acesso – que o eximiriam da contaminação.
O fato foi levado pela secretaria ao Commam, que reforçou a suspeita de contaminação do lençol freático e já tratou do tema em duas reuniões, deliberando sobre ações, visando investigar a situação.

Uma dessas deliberações resultou em uma reunião de representantes da Secretaria de Meio Ambiente com os donos dos cinco postos de combustíveis existentes na região central da cidade, quando ficou combinado que esses estabelecimentos irão contratar uma empresa especializada e certificada para fazer estudos técnicos visando medir o grau de contaminação e identificar a fonte poluidora. Esse estudo terá que ser apresentado no prazo máximo de 60 dias.
Outra decisão da Secretaria e Conselho, que já está em fase de conclusão, foi a elaboração de uma resolução que estabeleça normas rígidas de segurança para o setor. A resolução já está sendo elaborada.
De acordo com o secretário de Meio Ambiente do município, Mauro Moreira Borges, a situação é grave e merece atenção especial. E para que o setor de autopostos seja monitorado de forma permanente, a Semab já está inscrevendo dois dos seus técnicos em um curso especializado no assunto. ‘É um curso que é ministrado em São Paulo, referência para todo o país’, informa o secretário.
DESCONFIANÇA – Segundo o que o RADAR 64 apurou junto à Semab na manhã de segunda-feira (19), na segunda reunião do Conselho de Meio Ambiente em que esse assunto foi tratado, foi levantada a hipótese da contaminação estar sendo causada por um posto de abastecimento já desativado, que funcionou e foi fechado na início da década de 70. O empreendimento era localizado na praça Dr. Eunápio Peltier de Queiroz, mais conhecida como Praça da Bandeira, entre as ruas 5 de Novembro e Dr. Gravatá.
Segundo as informações, um conselheiro do Commam informou que o antigo autoposto, quando foi desativado, tinha, num dos tanques, um estoque de gasolina de cerca de 500 litros. Assim, se supõe que, ao longo dos anos o tanque tenha sido corroído e o combustível vazado ou ainda esteja vazando.
Porém, tudo são suposições que só serão confirmadas ou negadas após a realização da investigação a ser feita por empresa especializada.
Enquanto isso, a Secretaria de Meio Ambiente redige a resolução que tornarão mais rígidas as condicionantes obrigatórias para o licenciamento e construção dos novos autopostos que vierem a ser implantados na cidade e melhorar o monitoramento desse setor para que não se repita essa situação de contaminação do lençol freático. Fonte: Radar 64