Jovem pode ter matado filho recém-nascido afogado em Ibirapuã

Na noite desta sexta-feira, 20 de março, deu entrada no IML de Teixeira de Freitas um bebe recém-nascido, vítima de um possível aborto. Segundo informações da mãe da criança, Jaqueline Gomes da Silva, 18 anos, moradora da cidade de Ibirapuã, ela estaria grávida de quatro ou cinco meses e teria perdido a criança, dando entrada com sangramento na Unidade de Saúde. Jaqueline deu entrada no Hospital Isaura Chácara, em Ibirapuã, na noite de quinta-feira, 19 de março, por volta das 21h, queixando-se de ter sofrido um aborto espontâneo.bb afogado

Após exames clínicos, o médico começou a desconfiar dela, até mesmo porque não havia placenta. Foi quando o diretor do Hospital comunicou o fato à Polícia Militar. Tanto o médico quanto os policiais começaram a interrogá-la. Ela, então, disse que o bebê seu chegou a nascer, mas nasceu morto, e que seu pai teria ido enterrar a criança. Os policiais foram até a residência da Jaqueline, onde começaram a tomar informações sobre o fato. A mãe e a irmã de Jaqueline disseram que ela teria entrado no banheiro sentindo dor, e lá, permaneceu por muito tempo.

“Eu percebi que a minha filha estava grávida. Mas, ela escondeu por muito tempo. E na noite de quinta-feira (19/3) ela entrou no banheiro e demorou muito. Quando percebi a situação, o banheiro estava repleto de sangue. Pedi ajuda a uma ambulância, mas, não sabia que a Jaqueline havia dado luz ao filho. Só fiquei sabendo quando minha outra filha Elisângela me ligou dizendo que encontrou o bebê em um saco plástico atrás da porta”, disse dona Carmelita, mãe de Jaqueline. Ainda segundo a mãe, Elisângela disse que depois de encontrar o bebê morto, o colocou em uma caixa.

A caixa foi colocada em cima do telhado no quintal. Depois de ter tentado esconder os fatos da polícia, Jaqueline assumiu que ganhou o filho dentro do banheiro, mas, ainda insistia que ele teria nascido morto e que o pai iria providenciar o enterro. Chegando ao local, a guarnição da PM encontrou o corpo da criança e o encaminhou para o IML de Teixeira de Freitas, para exames de necropsia. Segundo relatório da médica legista Fabiola Deppizol, a criança respirou após o parto e no seu pulmão havia água, evidenciando asfixia por afogamento como causa da morte.

A polícia acredita que a mãe (Carmelita) e a irmã (Elisângela) da Jaqueline tenha participação no crime.  Segundo relatos de outra irmã, de apenas 7 anos de idade, Jaqueline entrou mesmo no banheiro sentindo dores e demorou muito, e que viu muito sangue, e que a sua mãe e sua irmã teria ajudado a Jaqueline com o bebê. O delegado titular de Ibirapuã, Gean Nascimento, já tomou conhecimento do fato e tomará as devidas providências sobre o possível crime de infanticídio.

Entenda o infanticídio: de acordo com doutrinadores do Direito Penal, infanticídio trata-se de uma espécie de homicídio doloso privilegiado, cujo “privilegium” é concedido em virtude da “influência do estado puerperal” sob o qual se encontra a parturiente. É que o estado puerperal, por vezes, pode acarretar distúrbios psíquicos na genitora, os quais diminuem a sua capacidade de entendimento ou autoinibição, levando-a a eliminar a vida do infante. O privilégio constante dessa figura típica é um componente essencial, pois sem ele o delito será outro (homicídio, aborto). Por: Edvaldo Alves/Liberdadenews