Governo atrasa em uma semana início do Mais Médicos com estrangeiros

O governo vai atrasar em uma semana o início do trabalho dos profissionais formados no exterior selecionados pelo programa Mais Médicos. Originalmente, os médicos começariam a atuar na próxima segunda-feira, 16 de setembro.

O Ministério da Saúde informou, nesta quarta-feira (11), que os profissionais passarão a próxima semana em atividades de familiarização com as realidades locais, já no Estado onde vão atuar, e começarão a trabalhar de fato na semana seguinte.

O atraso dará um tempo extra ao governo para conseguir regularizar a documentação dos médicos formados no exterior. O ministério diz, no entanto, que este não é o objetivo da semana de atividades.

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A proposta é que, na semana de acolhimento nos Estados, os médicos encontrem os gestores locais da saúde e, tenham informações sobre a política de atenção básica e as estratégias e os planos locais. Também estão previstas visitas às instalações de saúde nas capitais dos Estados.

A introdução ao SUS (Sistema Único de Saúde) e a estratégias nacionais e regionais, no entanto, já foram passadas a esses profissionais, que estiveram reunidos nas últimas três semanas em oito universidades públicas. Os objetivos dessas atividades eram repassar informações sobre a saúde brasileira e fazer uma avaliação sobre o conhecimento dos profissionais em saúde e na língua portuguesa.

 

Mais tempo para registro

 

O atraso de uma semana no início do programa vai dar ao governo um prazo maior para conseguir que os conselhos regionais de medicina emitam o registro provisório dos médicos formados no exterior –passo necessário para que o médico esteja habilitado a trabalhar no Estado.

Em alguns Estados, o ministério tem enfrentado uma série de dificuldades e reclamações, como documentação entregue aos conselhos em descumprimento da lei.

Nesta terça (10), a Justiça federal do Ceará concedeu a primeira liminar contra o Mais Médicos, dispensando o conselho regional de medicina do Estado de entregar o registro dos médicos formados no exterior que não têm a revalidação do diploma no Brasil. O governo já entrou com recurso.

O conselho do Espírito Santo avisou ao governo que não vai emitir nenhum registro até que uma ação judicial semelhante à do Ceará seja julgada no Estado.

Por outro lado, o ministério disse ter feito uma força-tarefa para protocolar os pedidos de registro dos médicos com toda a documentação prevista em lei.

Fonte: Johanna Nublat/Folha de S. Paulo