Fnac anuncia saída do Brasil

Grupo francês busca um sócio para assumir operações brasileiras

O grupo francês Fnac anunciou nesta última terça-feira (28/02) que pretende vender suas lojas de livros e eletrônicos no Brasil. O comunicado, que integra o balanço de resultados de 2016, afirma que o grupo busca um sócio para assumir as operações brasileiras. Com desempenho de vendas considerado fraco – o Brasil responde por menos de 2% da receita total do grupo.

“Iniciamos um processo ativo de busca por um parceiro o que pode levar a um desligamento do grupo do país”, diz o comunicado.

A Fnac chegou ao Brasil em 1998 e, até o final de dezembro, possuía 12 lojas no país.

“O modelo de negócio se tornou problemático nos últimos anos com a concorrência da vendas de livros online. O grupo chegou a conversar com muitas empresas, mas não conseguiu passar a operação adiante”, disse uma fonte ao jornal O Estado de S. Paulo.

Recentemente a Fnac uniu-se à concorrente Darty formando uma nova varejista de livros e eletroeletrônicos. A empresa anunciou um lucro líquido das operações continuadas de 22 milhões de euros no ano passado – frente a um prejuízo de também 22 milhões de euros das chamadas “operações descontinuadas”. O balanço de 2016 já considera o Brasil como uma “operação descontinuada”.

Em comunicado ao mercado, o presidente global da companhia, Alexandre Bompard, classificou os resultados de 2016 do grupo (já com os dados consolidados da Darty) como “sólidos”. “Todos os indicadores são saudáveis. A força do nosso modelo de negócio e a robustez da nossa posição financeira são como o novo grupo começa sua história”, disse o executivo, citando a aquisição da Darty.

Em entrevista na terça-feira ao jornal francês Le Figaro, Bompard disse que, “com exceção do Brasil”, os mercados onde o grupo atua têm potencial para crescimento sólido e que a aquisição da Darty trará ganhos para a expansão do grupo, um dos maiores da Europa.

Gestão no Brasil

Há um mês, a diretora-geral, Claudia Soares, ex-GPA (Grupo Pão de Açúcar), deixou o comando da Fnac. O executivo Arthur Negri, ex-Blockbuster, assumiu as operações no Brasil. Procurada, a subsidiária do grupo no país informou que não vai se pronunciar. No Brasil desde 1998, quando adquiriu os ativos da Ática Shopping Cultural, a rede francesa planejava uma expansão meteórica, o que acabou não se concretizando. Foi o primeiro investimento fora da França da Fnac, disse na terça uma pessoa familiarizada com o tema.

Para tentar incrementar suas vendas, a rede mudou o formato de suas lojas – que foi reduzido -, além do portfólio de produtos. Até o fim do ano passado, a Fnac tinha 12 lojas em território nacional. Além da crise financeira no país, a concorrência com as vendas de livros pela internet acabaram afetando a expansão da rede e de outras livrarias, segundo fontes. “Houve uma tentativa de aproximar a Fnac da Saraiva no passado, mas não deu certo”, disse outra pessoa a par do assunto. Controlada pela família Pinault, que é a segunda mais rica da França e dona do grupo Kering, de marcas de luxo, como Gucci, Balenciaga e Alexander McQueen, e da Puma, a Fnac Darty anunciou na terça um faturamento global de 7,418 bilhões de euros, crescimento de 1,9% em relação ao ano anterior.

Os dados anuais estão consolidados pro forma, uma vez que a francesa Fnac comprou o grupo rival Darty no ano passado. Antes da união com a Darty, o faturamento total da Fnac ao fim de 2015 somava cerca de 4 bilhões de euros – somente a receita do Brasil no período foi de 138 milhões euros, queda de 7,5%, de acordo com o balanço do grupo. Em notas explicativas em seu balanço, a companhia informou, à época, que o País passava por uma crise econômica e que, além da queda nas vendas, o mercado se mostrava resiliente por conta das vendas pela internet.

Os Pinaults são os principais concorrentes da família francesa Arnault, de Bernard Arnault, o homem mais rico da França e presidente executivo do grupo LVMH, que abriga as marcas de luxo Louis Vuitton e Hermés.Fora da Europa, o grupo Fnac também está presente na África – Costa do Marfim e Marrocos – e no Oriente Médio, no Catar. No entanto, não há nenhuma orientação para que essas lojas também sejam descontinuadas.