Filhote branco é “top” no ranking de adoção

“Vocês têm filhote de poodle?” Tão comum quanto odiada no CCZ (controle de zoonoses paulistano), a pergunta reflete as preferências na hora de adotar um cão: quanto menor, mais novo, mais branco e mais peludo, mais chances de ele ser levado para casa.

O problema é que poucos cães do CCZ se aproximam dessa descrição. Na verdade, nenhum dos atuais habitantes do canil (a antiga carrocinha) se encaixa perfeitamente nela.

Mesmo se não forem brancos ou peludos, filhotes não passam mais de um mês no CCZ.

Sorte parecida têm os cães do tipo “toy”. Atualmente, essa fatia é representada apenas pelo pinscher Freddy, que tem o focinho do tamanho de um dedal. Mas o pequeno ainda não está disponível. É recém-chegado e pode ter um dono procurando por ele desde a noite de Ano-Novo, quando muitos caninos assustados com os fogos fogem em disparada pelas ruas da cidade.

Na outra ponta do ranking estão os cães idosos, grandes e de pelos escuros. E se for pitbull (puro ou misturado), as chances de adoção despencam. Carioca, 10, que o diga. No CCZ há quatro anos e meio, ele já provou que é inofensivo deixando crianças pequenas deitarem sobre sua barriga em festas no espaço, mas nunca foi adotado.

Defeitos físicos também podem jogar o melhor amigo do homem para escanteio. “As pessoas se preocupam demais com a aparência, não conseguem ver que tem uma alma ali dentro”, diz a veterinária que coordena o canil do CCZ, Mônica Almeida.

No fim da lista estão cães como o bravo e grandalhão Desarrumado, cuja adoção só será possível se houver vários encontros com o pretendente.

1º lugar - filhotes claros - bebê de 2 meses, macho, porte grande
1º lugar – filhotes claros – bebê de 2 meses, macho, porte grande

MÃEZONA E XERIFE

Mônica Almeida, 46, que coordena o canil do CCZ desde 2009, não apenas chama pelo nome os 387 cachorros do centro como conhece o temperamento de cada um. “Essa é a Pânico. Ela tem o mundinho dela; Sultão só gosta de quem ele gosta.” A fofura da veterinária, no entanto, se restringe aos bichos.

Linha-dura com os humanos, ela submete o candidato a pai ou mãe adotivo a uma incisiva sabatina. “O que fará se mudar para um prédio onde não aceitam cães?” Se o candidato responder “encontrar outro dono”, será eliminado. “Você daria um filho para outro criar?”, pergunta Mônica. Alguns candidatos esperneiam, dizem que cachorro não é gente, mas não tem jeito. No que depender dela, nenhum peludo sai dali para ser tratado como cão-objeto.