Facções disputam territórios em Porto Seguro na base da violência

Nas fotos dos turistas que passam por Porto Seguro, Extremo Sul da Bahia, o que geralmente aparece são as praias e as festas que fazem da cidade — junto com seus distritos — o segundo destino mais procurado por quem visita o estado, atrás somente de Salvador. No entanto, Porto Seguro está cheia de outras marcas, espalhadas por paredes e muros. São pichações e rabiscos com siglas das facções criminosas Campinho (CP) e Mercado do Povo Atitude (MPA), que disputam espaço na base da violência.

Pichações e rabisco com as siglas das facções criminosas
Pichações e rabisco com as siglas das facções criminosas

“Rapaz, aqui os bandidos às vezes dão um tempo. Mas quando um acha de matar o outro, não tem quem segure. É morte demais”, resume um morador do Complexo do Baianão, que abrange uma série de bairros populares, foi berço da facção MPA e conta desde 2013 com uma Base Comunitária de Segurança da Polícia Militar. No Baianão, estão por toda parte as pichações da MPA, que, segundo a polícia, tem ligações com o Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa paulista que já atua em outros estados, fornecendo armas e drogas.

As marcações territoriais são tão comuns que podem ser encontradas até num “passeio” com a ferramenta Google Street View, que possibilita visões em 360° de boa parte das ruas do complexo. As siglas da rival Campinho, por sua vez, são vistas facilmente pela principais vias de Porto Seguro e até mesmo no acesso à praia de Arraial d’Ajuda, perto da balsa que leva à localidade.

Em março, ao assumir a 23ª Coordenadoria de Polícia do Interior (23ª Coorpin), sediada em Eunápolis, a delegada Valéria Chaves definiu o combate ao tráfico de drogas como prioridade na região, que vai abrigar duas delegações durante a Copa do Mundo. A Suíça ficará em Porto Seguro e a Alemanha vai se instalar no vilarejo de Santo André, na vizinha Santa Cruz Cabrália.

“Já estamos com investigações em curso, levantando informações e vamos ter operações para prender líderes desses grupos. Esse é o nosso foco, pensando principalmente nos moradores e também nos turistas, porque a cidade terá um grande movimento na Copa”, diz Valéria. (Informações: Correio)