Exército da Nigéria pede apoio na luta contra Boko Haram

nigeriaO Exército da Nigéria pediu  apoio para enfrentar o grupo terrorista Boko Haram, depois do homicídio de centenas de pessoas este ano na cidade de Baga, localidade no norte da Nigéria. O porta-voz do exército considerou que o ataque foi “o mais mortífero” feito pelos terroristas desde 2009 e pediu “a todo o mundo para colaborar na luta contra o maléfico Boko Haram, em vez de criticar aqueles que trabalham para derrotá-lo”.

As declarações do representante do Exército surgiram em resposta às críticas sobre a falta de atuação dos militares em Baga, que teriam saído do local após primeiro ataque e deixado a cidade entregue aos rebeldes no ataque do início deste ano, que fez centenas de mortos, ainda não contabilizados.

“O Exército nigeriano não desistiu de Baga nem de outras localidades onde a atividade dos terroristas prevalece”, disse o porta-voz. “Para enfrentar esta situação, realizamos um planejamento de homens e recursos”, acrescentou, dias depois de o Alto Comissariado para os Refugiados (Acnur) ter contabilizado cerca de sete mil nigerianos que fugiram para Chade, país vizinho.

Ajuda internacional

A difícil situação que  vive a Nigéria levou um bispo do país a pedir o mesmo nível de apoio internacional no combate ao Boko Haram que é dado à França depois dos ataques de radicais islâmicos da semana passada.

“Vejo a resposta muito positiva do Governo francês para enfrentar a questão da violência religiosa depois do homicídio de cidadãos franceses. Precisamos que esse espírito se espalhe, não só quando acontece na Europa, (mas também) quando acontece na Nigéria, no Níger, nos Camarões e em muitos países pobres”, disse o arcebispo católico de Jos, Ignatius Kaigama.

As declarações do responsável religioso foram feitas depois de um fim de semana especialmente violento na Nigéria, durante o qual duas menores, uma delas com cerca de 10 anos, fizeram um ataque suicida a um  mercado no norte do país, matando pelo menos 23 pessoas.

A posição de Kaigama é semelhante à manifestada pelo diretor do fundo das Nações Unidas para a infância (UNICEF), Anthony Lake, que no domingo considerou que os testemunhos impressionantes de sobreviventes dos ataques a Baga e o recurso a uma criança de 10 anos “deviam estar a pesar na consciência do mundo”. “As imagens dos últimos dias e tudo o que implicam para o futuro da Nigéria deviam desencadear uma ação eficaz. Isto não pode continuar”, disse Lake.

O Presidente nigeriano, Goodluck Jonathan, criticado por não conseguir controlar a insurreição, emitiu um comunicado condenado os ataques de Paris, apesar de raramente se pronunciar sobre ataques no seu país.

Boko Haram

Considerado pelos Estados Unidos como grupo terrorista desde 2010, o Boko Haram foi criado em 2002 inicialmente como uma oposição à educação ocidental, que sofre resistência no Norte da Nigéria, Níger e sul dos Camarões desde que cairam sob domínio inglês em 1903. A resistência ao ensino ociental foi capitaneada pelo clérigo muçulmano Mohammed Yusuf que criou  um complexo religioso, que incluiu uma mesquita e uma escola islâmica em Maiduguri, nordeste da Nigéria, em 2002.

Com o alto custo da educação no país e a resistência ao ensino ocidental, muitas famílias muçulmanas pobres de toda a Nigéria e de países vizinhos, matricularam seus filhos na escola. O  apelido “Boko Haram” significa “educação ocidental é proibida” em tradução livre e foi criado pelos moradores da região onde se localiza a escola, que promove uma versão do Islã que torna proibido (haram) para os muçulamanos participar de qualquer atividade política ou social relacionada com a sociedade ocidental. Inicialmente o nome do grupo era “Jama’atu Ahlis Sunna Lidda’awati wal-Jihad, que significa “pessoas comprometidas com a propagação dos ensinamentos do Profeta e Jihad”.

Com o passar dos anos o objetivo político de criar um Estado Islâmico ganhou força dentro do Boko Haram e a escola se tornou um terreno de recrutamento de jihadistas. Em 2009 o grupo iniciou operações miltiares com o objetivo de controlar o país, que causaram cerca 13 mil mortes até agora. Yusuf, o criador do grupo foi morto em 2009 sob custódia policial, seu corpo foi exibido pela rede estatal de televisão da Nigéria e o grupo declarado como extinto pelas forças de segurança, mas se reagrupou em torno de um novo líder, Abubakar Shekau, e voltou a realizar ataques terroristas.