Especialistas alertam para o perigo do uso de maquiagem vencida

[the_ad id=”25787″] Quem nunca aproveitou a liquidação da loja favorita e quis aumentar o estoque de batons, crente que eles iam ficar lá, durante anos, novinhos? Ou armazenou aquele estojo de sombras no banheiro e, de repente, percebeu que o produto venceu? A grande maioria das mulheres certamente responderia “sim” a essas questões e, provavelmente, as achariam tolas.

Práticas cotidianas como as citadas acima são feitas no “piloto automático”, mas que oferecem sérios riscos à saúde da pele e dos olhos, quando não tomados os cuidados adequados.

De acordo com Cleide Vieira, dermatologista da Secretaria de Estado da Saúde (Sesau), a maior parte dos cosméticos vendidos hoje no mercado apresenta grandes quantidades de conservantes, óleos, aromatizantes, pigmentos e outras substâncias químicas que, ao entrarem em contato com a pele ou a mucosa ocular quando estão vencidos, podem causar reações alérgicas, como irritações, coceiras e descamações, além de espinhas e manchas.

“O conservante tem um período útil, cuja função é impedir a proliferação de microrganismos. Passando esse período, pode infeccionar a região onde a maquiagem é utilizada”, explica ela, que desaconselha o compartilhamento de batons em provadores de maquiagem nas lojas de cosméticos. “Nesses locais, aumenta também a proliferação de vírus e bactérias. O ideal é observar se há itens descartáveis para teste. Todo cuidado é pouco quando o assunto é a saúde dos lábios, dos olhos e, sobretudo, da pele.”

Na hora de comprar a maquiagem é preciso ter cuidado, pois a atenção precisa ir além dos preços convidativos. A dermatologista da Sesau orienta as consumidoras a priorizar tanto a qualidade quanto o prazo de validade dos cosméticos ao iniciar uma compra. E atenção: um dos sinais de que a maquiagem está vencida, é quando o produto começa a mudar de cor, a sofrer processos de degeneração e de oxidação. Funciona assim: caso a cor bege da sombra comece a ficar amarronzada. Ou aquele azul-esverdeado passe a criar manchas brancas ao redor da paleta de cores. O melhor é ficar bem longe. E se o odor perfumado característico da maior parte dos cosméticos ceder o lugar a um cheiro desagradável, incomodativo não pense duas vezes, descarte-os.

Segundo Cleide Vieira, a regulamentação para a data de validade dos cosméticos nos Estados Unidos, Canadá e outros países da União Europeia é diferente. Por lá, os fabricantes não precisam colocar no rótulo a data de validade exata dos cosméticos.

Muitos produtos possuem uma inscrição impressa na embalagem com um desenho de um frasco aberto, com número e letra. Esse símbolo informa que a data do produto passa a contar a partir do momento que o cosmético for aberto ou a vedação do produto for removida. “Uma dica é colocar uma etiqueta adesiva assim que o mesmo for aberto com a data”, sugere a dermatologista.

As letras indicadas geralmente são: M (de month – mês em inglês) ou Y (de year – ano em inglês). Se tiver, por exemplo, 6 M significa que o produto possui a duração de 6 meses contados a partir do momento que o produto foi aberto.

O local onde as maquiagens são guardadas pode ser decisivo para aumentar a sua vida útil ou inutilizá-las. O ambiente ideal para o armazenamento deve ser fresco, arejado e iluminado, de preferência longe do banheiro, já que a umidade propicia um meio de cultura favorável a bactérias e fungos, que degradam os produtos e prejudicam a pele. Mas, se for inevitável guardá-las nesse espaço, coloque as maquiagens em caixas vedadas.

Cleide Vieira explica que deixar os cosméticos dentro da nécessaire também é um fator de risco para proliferação de microrganismos, pois sob altas temperaturas, os produtos podem estragar e sofrer contaminação. “Só leve na bolsa apenas o que for necessário para retocar a maquiagem”.

Para garantir a durabilidade dos pincéis e das esponjas, a dermatologista recomenda a higienização a cada 30 a 40 dias em média. No caso dos pincéis, o ideal é lavar com xampu e fazer movimentos leves com a palma das mãos. Secar bem as cerdas com o papel toalha e usar o secador de cabelos ajuda acelerar a secagem. Os pincéis só devem ser guardados quando estiverem totalmente secos. Se forem armazenados ainda úmidos, o risco de contaminação é alto.

A dermatologista orienta que, no caso de irritações ou coceiras, o ideal é suspender o produto e lavar bem a pele com sabonete neutro para retirar totalmente a maquiagem, e, logo após, borrifar água termal ou realizar compressas com soro fisiológico na região. Em caso de os sintomas persistirem, a procura por um médico dermatologista é fundamental.

TRAÇOS DELICADOS, CORES ATRAENTES, E VÁRIOS RISCOS

Batom, rímel, blush e tantos outros itens de maquiagem começaram a fazer parte da vida da vendedora de cosméticos, Joyce Albuquerque, desde quando ela ainda era menina, aos 12 anos. Mas, por conta do armazenamento e no compartilhamento de esponjas, pincéis e maquiagens com outras pessoas, os problemas não custaram a aparecer.

“Eu tive um fungo sério no olho pelo uso de um pincel e de um rímel”, conta ela, ao se recordar de uma úlcera de córnea no olho direito, na adolescência. Aos 20 anos, Joyce Albuquerque, que também é maquiadora profissional, foi trabalhar como atendente num banco de sangue. O emprego, por sua vez, precisava de mulheres vaidosas.

Determinada, ela aceitou o desafio. Às 5h30 da manhã, como ela mesma descreve, já estava com “aquela massa corrida no rosto para ‘pegar no batente”. Só que ela não imaginava dos perigos que esse comportamento poderia causar à saúde de sua pele. Resultado: problema de acne sério. Com ajuda de uma dermatologista, ela teve de fazer um tratamento à base de ácidos. E melhorou.

Contudo, em dezembro de 2014, com a rotina intensa de vendas da loja em que trabalha, a falta de sono e o estresse, ela se descuidou mais uma vez da pele e, consequentemente, da higienização dos produtos. Nos primeiros dias de 2015 ela desenvolveu a chamada acne rosácea – doença inflamatória crônica que afeta principalmente os adultos após os 30 anos de idade, sendo mais frequente nas mulheres. Foi preciso dois meses de tratamento.

Hoje com 34 anos, Joyce tem uma preocupação redobrada quando o assunto é a higienização de seus produtos de beleza. “Eu adquiri uma sensibilidade na minha pele que eu não tinha, e isso me fez repensar que o uso de cosméticos é algo íntimo, próprio. Ninguém tem o direito de sair compartilhando com outras pessoas”, diz ela, que tem a maquiagem como sua melhor aliada em todas as estações do ano.

Confira dicas e saiba como armazená-las para durar mais tempo!

BATONS
Validade: depois de aberto, ele dura em média 1 ano e meio
Como identificar: eles mudam de textura (podem endurecer ou amolecer demais), ficam com gosto diferente e cheiro ruim. A cor também pode ficar levemente alterada.

SOMBRAS, PÓ COMPACTO E BLUSH
Validade: duram 2 anos e meio, em média.
Como identificar: eles podem “craquelar”, ficar rançoso e perder o aroma, mas não é uma regra. O truque é anotar a validade em um pedacinho de papel e grudar na base do produto, caso você não queira guardar a caixa.

DELINEADORES
Validade: 1 ano, em média. Os delineadores em caneta costumam acabar ou secar antes de vencer.
Como identificar: eles ressecam e ficam difíceis de passar.

MÁSCARA PARA CÍLIOS
Validade: depois de aberta dura entre 6 meses e 1 ano.
Como identificar: resseca e fica em grumos (pequenos grãos).

BASE, CORRETIVO, BB CREAMS E PRIMERS
Validade: duram entre 1 ano e meio e 2 anos.
Como identificar: eles ficam com as fases (água e óleo) separadas e mudam de cor e de cheiro. Os produtos mais líquidos também podem formar pequenos grânulos. E atenção dobrada aos que têm fator de proteção solar, que é completamente perdido após o vencimento!

LÁPIS DE OLHO E LÁBIOS
Validade: em média, 1 ano e meio.
Como identificar: o lápis fica bem seco, difícil de passar, e perde o poder de pigmentação.
Fonte: Aqui Acontece