Em jogo de cartas marcadas, Miro Barbosa é eleito presidente da Câmara

Vereador-miro-Teixeira-de-FreitasO que era para ser uma eleição aonde deveria reinar a democracia, parece ter sido qualquer coisa, menos isso. Algo muito além do que podemos chamar de poder aquisitivo acabou definindo a eleição para presidente da Câmara Municipal de Teixeira de Freitas.

Quando a sessão teve início por volta das 18h30 de terça-feira, 9 de dezembro, o novo presidente da casa já estava definido, bem como a mesa diretora da Câmara, que posteriormente foi confirmada, ficando composta da seguinte forma: presidente Tomires Barbosa Monteiro, o “Miro”, vice Iure da Tajon, primeiro-secretário Adriano Souza, segundo-secretário Juvenal das Laranjas.

O plenário da Câmara Municipal estava lotado, não dá população aflita de Teixeira de Freitas, que sofre com o abandono do poder público, mas de funcionários contratados, com cargos de nomeação, secretários e pessoas que foram para aplaudir o que parecia mais um espetáculo circense.

Ciente de que seria derrotado, Ariston Pinheiro, que seria o candidato concorrente da outra chapa, partiu para o ataque, acusando o chefe de gabinete Marcílio Goulart de ter comprado a eleição de Miro, com cargos, vantagens e até mesmo dinheiro.

Segundo Ariston, até alvarás de mototaxistas foram utilizados para comprar votos de vereadores, que já teriam fechado com ele para ser o novo presidente, mas que se venderam pelo dinheiro e as facilidades oferecidas por Marcílio Goulart.

Ariston chegou a acusar na tribuna da Câmara os vereadores Adriano Souza e Juvenal das Laranjas de terem pedido um veículo, que custa cerca de R$ 57.000, mais a quantia de R$ 50.000, dizendo, inclusive, que entrará com uma denúncia formal contra os colegas no Ministério Público.

Ao final da votação, ficou sacramentada o que todo mundo sabia, Miro Barbosa foi eleito presidente da Câmara Municipal de Teixeira de Freitas com 13 votos, contra 6 de Ariston Pinheiro.

A eleição de Miro Barbosa para presidente, na verdade, aconteceu em 12 de agosto, quando o edil que teria assinado o requerimento para instalação da CPI das Oscips apresentou um requerimento solicitando que seu nome fosse retirado, no mesmo dia um ofício oriundo do gabinete do prefeito assinado pelo próprio João Bosco Bittencourt, lhe nomeava líder do governo na Câmara Municipal.

Desde este dia que vários edis, e a própria imprensa, já teriam divulgado que no acordo para que Miro retirasse a assinatura estava também a garantia de que ele seria o novo presidente da Câmara Municipal, fato que foi confirmado na noite de terça-feira, 9 de dezembro.

Diante dos fatos fica evidente que a eleição da Câmara de Vereadores de Teixeira de Freitas foi um jogo de cartas marcadas, que já estava definido há quase 5 meses. Por Jotta Mendes/Repórter Coragem