Dorothy Stang: assassinato de missionária completa 10 anos

dorothy-stangA missionária Dorothy Mae Stang foi morta aos 73 anos com seis tiros a queima roupa no dia 12 de fevereiro de 2005 no município de Anapu, oeste do Estado do Pará. Integrante da Comissão Pastoral da Terra (CPT) na época de sua morte, Stang trabalhava na implantação do Projeto de Desenvolvimento Sustentável (PDS) Esperança, a cerca de 40 quilômetros da sede do município.

Dez anos depois de sua morte, os assassinatos continuam a acontecer na região. De acordo com dados da CPT, de 2005 a 2014, 325 pessoas foram vítimas de assassinatos motivados por conflitos agrários. Mais da metade destes casos, 219 (67,3%) aconteceram na Amazônia Legal.

​O Pará é o estado com o maior desmatamento nos últimos dez anos e o maior índice de assassinatos. Foram registrados  mais de 39 mil quilômetros quadrados de florestas na região, segundo dados do Prodes (Projeto de Monitoramento da Floresta Amazônica por Satélite), do Governo Federal e 116 assassinatos durante o período.

De 1985 a 2013, a justiça recebeu 768 inquéritos de assassinatos no campo na região amazônica. Apenas 5% deste total chegou a julgamento (segundo a CPT) e somente 19 mandantes receberam algum tipo de punição, sendo que a maioria responde às acusações em liberdade. Esse é o caso dos envolvidos no assassinato de Dorothy Stang. Apontados como mandantes do crime, Vitalmiro Bastos de Moura “Bida” e Regivaldo Pereira Galvão Taradão teriam pago R$ 50 mil pela morte da missionária.

Os mandantes do crime, condenados a 30 anos de prisão, aguardam recurso do julgamento em liberdade. Regilvado, que passou 1 anos e 4 meses em regime fechado no início do julgamento, aguarda em liberdade um recurso que tramita no Superior Tribunal de Justiça (STJ) e Vitalmiro cumpre a pena em regime semiaberto.

Outras três pessoas participaram da execução do crime: Rayfran das Neves o “Fogoió”, autor dos disparos, Amair Feijoli da Cunha, o “Tato”,apontado como intermediário e Clodoaldo Batista, conhecido como “Eduardo” e apontado como co-autor. Todos foram condenados pela Justiça mas apenas Rayfran está preso, por outro crime que cometeu.