Dono da JU que matou um e baleou dois continua preso em Teixeira

Continua-preso-caso-JUContinua preso no presídio do Conjunto Penal de Teixeira de Freitas, o advogado e cafeicultor Danilo Ungaro, 34 anos, administrador e herdeiro da empresa JU, autor de uma tragédia que completa hoje (19/11/2014), 90 dias de ocorrida, quando matou a tiros um contabilista que lhe prestava serviço e baleou gravemente a esposa da vítima e o sócio, no interior de um escritório no pleno centro comercial de Teixeira de Freitas.

No último dia 1º de setembro o delegado Júlio Telles, da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, presidente do inquérito policial do caso e que autuou em flagrante delito o advogado e cafeicultor Danilo Ungaro, 34 anos, concluiu o inquérito que apurou o crime e o remeteu a justiça, quando também indiciou o pai do advogado, o empresário Jadir Ungaro, 73 anos, dono da empresa JU, como partícipe do crime, por ter segurado a primeira vítima, impedindo que esta evitasse que Danilo seu filho se apoderasse da arma para atirar nas pessoas, e ainda, que impediu a vítima Nelson pudesse fechar a porta da sala, quando era perseguido no corredor por Danilo, o que possibilitou Danilo a atirar contra Nelson.

Crime em Teixeira

Na terça-feira do último dia 19 de agosto (há exatos 90 dias), o filho do dono da JU, Danilo Ungaro, com a conveniência do pai, presente no local, atacou no centro comercial da cidade de Teixeira de Freitas e assassinou a tiros Nelson Gonçalves Guimarães Filho, 48 anos, morto com dois tiros no tórax e um de raspão na cabeça. Sua esposa Rogéria Lucia Zatta Guimarães, 34 anos e o seu sócio e sobrinho Juliano Guimarães Silva, 30 anos, saíram feridos a bala. As três vítimas eram sócias da empresa Juliano Guimarães Ltda., empresa que gerenciava o financeiro da produção de café da fazenda JU. O escritório da terceirizada da JU, ficava sediada no primeiro andar do edifício da Unigraf, na Rua Felinto Muller nº 31, 1º andar, sala 105, no centro de Teixeira de Freitas, onde aconteceu o crime por volta das 15h.

Os disparos feitos pelo advogado e cafeicultor Danilo Ungaro, 34 anos, destruiu o escritório do Jornal Eletrônico Teixeira News com pelo menos 8 tiros que destruíram duas paredes do espaço usado para administração de conteúdo do site, atingindo um notebook, perfurando várias vezes uma mesa coletiva da redação e a porta do banheiro. A sala da redação ficou repleta de estilhaços em razão da violência provocada pelos tiros. No momento do acontecido nenhum integrante da equipe estava na sala de jornalismo do portal. O ataque a tiros contra a redação do Teixeira News, o mais tradicional jornal online do extremo sul do Estado, ocorreu de forma indireta. O atirador promoveu os disparos de uma sala ao lado, no escritório da Juliano Guimarães Ltda., onde tinha o objetivo de ceifar a vida do seu alvo e conseguindo, matar a tiros o dono da empresa, feriu a esposa da vítima e o sócio. E por muito pouco a tragédia não foi maior.

A prisão do homicida

No cenário do crime o advogado descarregou o estojo da arma nas suas três vítimas e os peritos recolheram 16 cápsulas de cartucho calibre 380. O autor do crime, Danilo Ungaro, 34 anos, em fuga na sua caminhonete pela BR-101, foi preso 40 minutos depois, nas proximidades do distrito de Posto da Mata, por policiais da equipe do major Anacleto França, da CAEMA – Companhia de Ações Especiais da Mata Atlântica. Ele estava em posse da arma do crime, uma Pistola calibre 380, marca Taurus número KZC99524 municiada com um cartucho intacto na câmara, com um carregador vazio acoplado a arma e um segundo estojo municiado com 13 cartuchos intactos. O criminoso passou pela barreira da CAEMA no povoado de Bela Vista numa velocidade a 200 quilômetros por hora e só foi possível o alcance logo nos próximos 15 quilômetros, porque a caminhonete do autor estourou o motor e perdeu a velocidade.

Versão do criminoso

No seu depoimento aos autos do inquérito da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, o advogado e cafeicultor Danilo Ungaro, contou que a sua vítima, Nelson Gonçalves Guimarães Filho era prestador de serviço da sua empresa “JU” como escritório de contabilidade, contratação e finanças. Descreveu que o seu pai Jadir Ungaro e a gerente geral das suas empresas Maria das Graças de Quadros, eram quem estavam no escritório de Nelson Guimarães numa reunião de negócios. E ele teria recebido o telefonema da sua gerente geral para que fosse ao escritório da Juliano Guimarães, no momento que se encontrava numa Casa Lotérica.

Ele teria seguido para o escritório e lá encontrado 6 pessoas, os três sócios do escritório, a secretária deles Rayane Lima Soares e inclusive seu pai e sua gerente geral. Descreveu que tão logo chegou, percebeu que Nelson Guimarães estava exaltado e falando alto com o seu pai e também entrou na discussão. Diz que Nelson Guimarães teria feito menção de puxar uma arma da cintura ou apanhá-la na gaveta da mesa e foi quando sacou sua pistola de uma mochila e teria dado tempo de nauseá-la, porque, segundo ele, a arma estava travada e sem bala na agulha. E uma vez pronta para dar fogo, teria ainda enfrentado uma luta corporal com as suas vítimas e atirado nelas na presença do pai e da sua gerente geral, por fim ceifando a vida de Nelson Guimarães.

Perguntado se Rogéria e Juliano também estavam exaltados, ele disse que não. E perguntado o porquê da necessidade de também ter atirado na esposa dele e no sócio da vítima, Danilo respondeu que na hora o sangue ferveu e teria atirado em todos que estavam na frente. Perguntado o porquê do exagero dos disparos (16 tiros) ele não soube explicar porque da ação exagerada. Mas perguntado, já que se sentiu alucinado na hora, porque teria poupado o pai, a gerente e a secretária do escritório, já que estaria alucinado poderia também ter atingido as outras pessoas. Ele também não soube ou não quis descrever. E perguntado o porquê foi para a reunião no escritório armado, ele disse que é habituado andar armado e o segundo estojo carreado da pistola havia ficado no carro.

Atirador habilitado

O empresário Danilo Ungaro tem 34 anos e declarou que há 10 anos é atirador praticante de clubes de tiros e colecionador de armas, possuindo inclusive guia de translado de arma de fogo, mas não apresentou porte de arma de fogo, contudo provou que é filiado a Confederação Brasileira de Tiro Defensivo. No inquérito o delegado Julio Telles relatou a justiça que Danilo Ungaro é atirador capacitado e é mais preparado que muitos policiais do Brasil. Ele ainda apresentou identidade da Ordem dos Advogados do Brasil, inscrito na OAB de São Paulo, embora atue muito pouco na área advocatícia e está mais envolvido nas empresas da família. Apresentou também carteira de piloto profissional de avião comercial.

Das lesões nas vítimas

O dono do escritório Nelson Gonçalves Guimarães Filho, 48 anos, foi morto com três tiros: sendo um que lhe perfurou a parte superior da orelha direita e atingiu a cabeça de raspão, e dois no tórax, com trajeto das munições em sentido descendente, ou seja, de cima para baixo. Nelson foi atingido quando tentava se esconder atrás da porta de seu escritório, vindo a cair falecido justo atrás da porta, onde seu corpo continuou impedindo que a porta se abrisse.

Sua esposa Rogéria Lucia Zatta Guimarães, 34 anos, foi atingida com dois tiros: um tiro no braço direito e o outro na lateral do tórax, demonstrando que não estava em posição de ataque contra seu agressor. Ela teve sua cirurgia concluída às 21h daquela mesma terça-feira (19), no Hospital Municipal de Teixeira de Freitas, cujo projétil lhe perfurou o baço e o pulmão e conforme a médica que lhe operou, por causa de apenas um centímetro, o projétil não lhe atingiu um importante vaso sanguíneo abdominal que lhe levaria a morte instantaneamente.

O sócio do escritório e sobrinho da vítima fatal, Juliano Guimarães Silva, 30 anos, também saiu ferido a bala e foi submetido a uma cirurgia por causa de um tiro que levou no braço esquerdo, transfixou e atingiu logo abaixo de seu ombro. A trajetória da bala demonstra a posição que estava, com braço para cima, em posição de defesa.
Motivo do crime

No fim das investigações a Polícia Civil apurou que o que motivo o crime foi dinheiro. Concluiu-se que o escritório Juliano Guimarães Ltda., possuía um contrato de prestação de serviço com as fazendas JU da família Ungaro. E por acreditar que estava sendo financeiramente prejudicado, Danilo Unagaro tentou extinguir o contrato conforme cláusula nona do mesmo, matando a parte que entendia estar lhe roubando e assim o contrato estaria dissolvido.

Inclusive no contrato celebrado por ambas as partes na clausula 9ª consta que em caso de morte do parceiro outorgado, a parceria será dissolvida. No dia do crime, concluiu a Polícia Civil em remissão do inquérito a justiça, que os donos da empresa JU discutiam com os sócios do escritório, sobre a venda de 1.000 sacas de café e o escritório Juliano Guimarães ainda não havia lhes repassado o valor equivalente a R$ 230 mil.

O que aconteceu de fato no cenário do crime

O inquérito concluiu que tão logo Danilo chegou ao escritório, tomou a discussão para si e discutiu direto com Nelson, até que Danilo que é um homem de porte físico avantajado, suspendeu a mesa de Nelson, vindo a arrancar a tampa da mesa. Daí em diante, aconteceu tudo muito rápido. Por ocasião que Nelson se levantou e saiu da sala. Por sua vez, Danilo se agachou para apanhar a pistola na mochila, momento que Rogéria tentou impedi-lo de alcançar o que veio a saber depois, ser uma arma de fogo. Rogéria foi empurrada para fora da sala e ela continuou gritando para que Danilo se acalmasse.

Momento que Juliano tentou também impedir Danilo e foi impedido pelo empresário Jadir Ungaro que também é um homem de porte físico avantajado, que Juliano segurasse o filho, e Juliano acabou sendo o primeiro alvejado com um tiro e uma vez baleado Juliano conseguiu correr para o corredor do prédio e neste momento todos já estão no corredor, apenas a secretaria do escritório permaneceu dentro da sala. E no primeiro tiro contra Juliano, Rogéria tentou se proteger oferecendo o lado do corpo, quando foi alvejada com dois tiros, mas conseguiu correr mesmo ferida.

Nelson correu para dentro do escritório, onde estava sua secretária deitada ao chão se protegendo atrás da mesa. Mas antes de Nelson conseguir trancar a porta, o pai do criminoso, empresário Jadir Ungaro, colocou a mão na porta e passou a medir força com Nelson para que ele abrisse, mas Nelson se manteve segurando a porta com o ombro, conforme a testemunha que se encontrava pelo lado de dentro da sala. Com ajuda do pai, com a porta entre aberta, Danilo meteu a mão por cima e começou atirar mesmo sem está vendo Nelson e foi atirando até acabar as balas do carregador da pistola.

Nelson já estava morto, conforme a testemunha, quando os tiros continuaram sendo disparados, porque de acordo com a posição que caiu o corpo de Nelson, o cadáver continuava impedindo que a porta se abrisse, mas no entendimento do assassino, seria a vítima que ainda estava segurando a porta. O inquérito observa que os três primeiros disparos feitos por Danilo no corredor do escritório, foram certeiros em Juliano e Rogéria e por isso no corredor só existia sangue e não perfurações nas paredes.

E da forma como Danilo atirou em Nelson sem ter a visão da sua vítima que estava atrás da porta, se entende o porquê do exagero de tiros e porque 8 deles vazaram para a sala do Teixeira News. Por que dos 13 tiros disparados contra Nelson, somente três lhe atingiram. Ou seja, Danilo atirava contra Nelson, mas não tinha certeza se estava acertando, porque não estava lhe enxergando. E mesmo Nelson já morto a porta continuava travada, mas era pelo corpo de Nelson e não pela força reação da vítima.

A participação do Jadir Ungaro no crime do filho

O delegado Júlio Telles também indiciou o empresário Jadir Ungaro, como partícipe do crime, porque ficou provado que ele impediu com as duas mãos que Nelson fechasse a porta, permitindo assim que Danilo concluísse seu intento assassino, levando a mão com arma de fogo para dentro da sala e atirando atrás da porta, mesmo sem ver seu alvo. Segundo o inquérito, foi justamente com a ação de Jadir que Nelson ficou impedido de se proteger, e que possibilitou a Danilo atirar diretamente onde Nelson estava.

O empresário Jadir Ungaro é tido no inquérito como autor de atuação decisiva no que diz respeito a permitir que Danilo (seu filho) sacasse da arma, uma vez que impediu anteriormente Juliano de intervir no momento que Danilo buscava pela arma em sua mochila, isso após Danilo já ter arremessado com um golpe para fora da sala a senhora Rogéria, esta que foi a primeira pessoa a tentar impedir que Danilo se apoderasse da arma.

Três dias depois do crime o empresário Jadir Ungaro compareceu para prestar depoimento ao delegado Júlio Telles e alegou que também foi alvejado com um tiro no dedo indicador da mão esquerda. Mas o delegado o encaminhou a perícia médica para identificar se a lesão no seu dedo foi realmente alvo de um tiro ou foi lesionado na porta, quando tentava abrir para que seu filho consumasse o homicídio de Nelson. E a perícia declarou que sua lesão tratava-se de um ferimento por objeto contundente e descartou a possibilidade da contusão ter sido provocada por tiro de arma de fogo.

O inquérito relata ainda a justiça, que a gerente das empresas JU, Maria das Graças de Quadros, mentiu em seu depoimento e somente quis favorecer seus patrões. Ela alega que desmaiou no momento da tragédia e nada viu. Mas o delegado Julio Telles adverte, que ela se esqueceu que todo o crime, conforme a perícia criminalística evidenciou e as testemunhas relataram, ocorreu em cerca de um minuto. Ou seja, ela teria desmaiado justamente no período de um minuto em que ocorreram os tiros e depois se levantado e ido embora com os patrões, deixando para trás duas pessoas gravemente feridas e uma morta. Tanto que foi ela que conduziu o patrão (Jadir Ungaro) ao Hospital São Paulo para promover o curativo em seu dedo.

Do indiciamento de Pai e filho

O delegado Júlio Telles, da 8ª Coordenadoria Regional da Polícia Civil de Teixeira de Freitas, que presidiu o inquérito do caso e que autuou em flagrante delito o advogado e cafeicultor Danilo Ungaro, 34 anos, lhe enquadrou em crime de homicídio qualificado e duplo homicídio tentado (Artigo 121, § 2º, I e IV, c\c Artigo 14, I, ambos do Código Penal Brasileiro, pela morte de Nelson Gonçalves Guimarães Filho, 48 anos). E (Artigo 121, § 2º, I e IV, c\c Artigo 14, II, por duas vezes, estes tendo como vítimas Juliano Guimarães Silva, 30 anos e Rogéria Lucia Zatta Guimarães, 34 anos).

Já o empresário Jadir Ungaro, 73 anos, foi indiciado como partícipe na forma do Artigo 29 do Código Penal Brasileiro e se assim entender o Ministério Público poderá também responder pelos mesmos crimes em que o filho Danilo Ungaro. A qualificadora é porque o delegado entendeu que houve o motivo torpe para o crime e os autores usaram de dissimulação para dificultar a defesa das vítimas que tinham a intenção de alvejá-las. (Por Athylla Borborema).