Dilma: ‘Como é que vão melhorar o Mais Médicos se são contra’

Durante discurso em Teresina, presidente considerou falha a atuação do PSDB em planejar e executar programas sociais

Teresina – A presidente Dilma Rousseff defendeu nesta quarta-feira,7, em discurso durante evento com líderes políticos em Teresina, que é preciso “superar a visão elitista que, quando governou o País, tirou os pobres do orçamento”. Segundo ela, o PSDB, quando presidia o Brasil, só colocou no orçamento políticas para um terço da população. “Nós, não. Nós achamos que os 202 milhões de brasileiros são muito valiosos para você perder um que seja.”

Candidata à reeleição criticou falta de iniciativa dos concorrentes no passado. "Por que não fizeram antes?", disse.
Candidata à reeleição criticou falta de iniciativa dos concorrentes no passado. “Por que não fizeram antes?”, disse.

A presidente aproveitou para citar a criação do Bolsa Família, como uma política de inclusão, e voltou a criticar os tucanos. “Eles falam que vão fazer melhor o Bolsa Família. Por que nunca fizeram antes?”, questionou sob aplausos dos presentes. “E por que, quando puderam, fizeram o Bolsa Família mirradinho assim, pequenininho assim, para poucas pessoas assim? Nós não, fizemos e inclusive procuramos aqueles que têm direito ao Bolsa Família”, completou.

Em seguida, Dilma lembrou do Minha Casa Minha Vida e também questionou a oposição que tem prometido melhorar o programa. “Eles estão falando que vão melhorar o Minha Casa Minha Vida. Como é que vão melhorar, se nunca fizeram?” Ela lembrou ainda que o PSDB foi contra o Mais Médicos e questionou como é que agora prometem melhorar o programa. “Como é que vão melhorar o Mais Médicos se eles são contra o Mais Médicos?”

A presidente Dilma afirmou ainda que o maior compromisso do seu governo é garantir que a educação esteja no centro de tudo. “Aí eu quero dizer que nós vamos criar mais de 12 milhões de oportunidades dentro do Pronatec.” Ela ainda afirmou compromisso com investimento na infraestrutura e transporte urbano. “Fico feliz quando vejo o Wellington Dias eleito governador. Eu tenho um parceiro agora, para a gente acabar com as obras que temos de acabar”, disse.

Em todo o País, a presidente Dilma Rousseff obteve 41,59% dos votos válidos no primeiro turno, ante 33,55% de Aécio Neves (PSDB) e 21,32% de Marina Silva (PSB). No Piauí, a petista conquistou 70,61% dos votos válidos, ou 1,2 milhão de votos – a maior votação proporcional em um Estado. O candidato do PT ao governo do Piauí, Wellington Dias, foi eleito já no primeiro turno, com 63,08% dos votos.

Pobres. Em um outro ataque ao partido de Aécio Neves, Dilma defendeu a superação de uma visão elitista que, “quando governou o País, tirou o pobre do orçamento”. “Nós, não. Nós achamos que os 202 milhões de brasileiros são muito valiosos para você perder um que seja”, disse a petista, ressaltando que o PSDB colocou no orçamento políticas voltadas para apenas um terço da população – os mais ricos.

“Tem gente que olha para o Nordeste com olhar de quem governou o País só para outra região. Aqueles que dizem que aqui estão as pessoas com menos compreensão, com menos educação, que não sabem votar, é porque não acompanharam tudo que vem acontecendo aqui nessa região. Nunca estiveram aqui, nunca conheceram a qualidade desse povo”, comentou a candidata à reeleição, em resposta velada a FHC, que afirmou que o PT obteve votos de eleitores pobres, menos informados.

Antes de discursar, Dilma rezou o Pai Nosso com o governador eleito do Piauí. O início do evento foi marcado pelo improviso e a falta de organização da campanha, com militantes e repórteres se acotovelando para passar pela única porta de entrada aberta ao público.

São Paulo. Após o encontro com lideranças políticas em Teresina, Dilma disse em uma rápida entrevista a jornalistas que a sua situação em São Paulo não é “nada que não se possa solucionar”. Aécio abriu uma vantagem de mais de quatro milhões de votos sobre a petista, que já reconheceu o fracasso no maior colégio eleitoral do País.

“De fato, há uma diferença em São Paulo, nada que não se possa solucionar, nós iremos nos esforçar, através do diálogo, através das conversas, das mobilizações, da internet, da televisão, para ampliar a votação em todos os Estados da federação”, comentou.

Questionada sobre a possibilidade de apoio da ex-ministra do Meio Ambiente Marina Silva (PSB) à candidatura do tucano, a petista respondeu: “Democracia é isso. É um exercício no qual as pessoas apoiam aqueles que elas mais se identificam. Agora você assume também o compromisso com os princípios daquele projeto. É muito melhor (assim) do que processos ditatoriais em que as pessoas não votam, não discutem, não debatem, não têm direito à livre escolha.” Fonte: Estadão