Diário de um infrator

Maiane– Meu nome é R., comecei depois dos 13 anos de idade a usá drogas, por influência dos colegas e amizades, até que com os 15 anos de idade, vendia drogas e depois, já parti pra vida loka de fazer assalto… aí fui assaltando, assaltando, já tenho mais de 10 passagem, até que a última agora, fui preso. Minha mulher falava pra mim parar, eu prometia a ela, mais no outro dia, já tava no crime de novo.  Entrei por diversão. Tava estudando, só que parei. Achei que ia fazer só uma vez, deu certo e continuei mais e mais… Pensava que nunca ia dá errado.
Meu pai e minha mãe é separado, aí eu cresci na igreja, com 09 anos eu tomei o primeiro ataque, sem dever nada pra ninguém, aí eu me revoltei.
Neste momento, interrompe a entrevistadora:
– Ataque?!
– Tomei um tiro sem devê nada pra ninguém, então eu me revoltei… – disse o infrator.
– O tiro foi onde? – interroga a estudante.
– Num pegou em mim não!
– Ué você se revoltou, sem o tiro pegar em você?
– Claro!  E se eu tomá mais tiro, sem deve nada prá ninguém é bagulho!
– E começou a assaltar, praticar roubos?
– Assaltar, roubar, roubar, roubar… aquilo era a minha vida, tudo o que eu podia e tinha para fazer.
– Já matou alguém?
– Rapaz… Já! – declara pensativo.
– Se arrepende?
– Me arrependo.
– Faria de novo?
– Não… – responde o menor, demonstrando certa dúvida no momento da resposta.
– E como você descreveria o crime?
– Dá aquela imagem de bom, mas é só a aparência…
– Pensa em quando sair daqui ser um novo homem?
– Com fé em Jesus, vou ser um novo homem – garante com a voz truncada.
– E sua família?
– Minha família não liga pra o que eu faço não.
– Por que?
– Minha mãe e meu pai num tá nem aí pra mim, só tenho minha vô e minha tia.
– Os seus pais continuam separados?
– Continuam.
– Você os  ama?
– Amá eu amo, mais fazê o quê? Num tá nem aí pra mim…
– E sua avó? Como será que ela está se sentindo vendo você na cadeia?
– Tá mal…
– Você fica feliz em vê-la mal?
(Silêncio)
– E a droga? O que é isso na sua vida?
– Rapaz, é uma coisa muito ruim, mas também você tenta parar e não consegue…
– Ela te controla?
– Não controla não!
– Não? Já parou?
– Já parei… mas eu uso ainda.
– Então ela ainda te controla, não é?
– Não. Ela não me controla. Eu que controlo ela, que quando eu quisé parar eu paro…
– E por que não parou ainda?
– Ah, porque é bom… em alguns momentos me dá alegria na vida, a que eu já perdi há muito tempo e nunca mais reencontrei, a não ser nas droga.
– E por que você entrou no mundo do crime?
– Foi que eu acabei de expricar, cara, eu num tive pai, eu num tive mãe, eu num tive nada…
– E por que você continuou no crime?
– Purque daí eu já estava ganhando dinheiro e tudo aí eu continuei na vida.
– Dinheiro fácil?
– É, dinheiro fácil…
– O crime deixa marcas?
– Muitas… muitas marcas, se eu soubesse que eu iria virá o que eu virei hoje, eu num tinha entrado nu mundo do crime. Tô aqui purque eu quis. Eu saindo daqui, vou mudá minha vida, criá meu filho.
– Quem é Deus pra você?
–  Pra mim é quem deu minha vida de volta. Meu pai. Purque Ele que me salvou da morte. Eu num acho nesse mundo nenhum homem que foi atirado e conseguiu sobreviver rapidinho assim não, como eu. São poucos ser humano que pode falá que viram uma bala saí do revólver e continuar vivo, muitas pessoas pensa que é mentira.  Quando eu e minha mulher aceitámo Jesus, eu tava indo bem, mais logo depois comecei bebê de novo. Aí um pastor falou que  Deus ia me mostra que Deus é Deus e com Ele não se brinca, e se eu não  aceitasse Jesus  de coração,  minha vida ia ser só sofrimento e por isso, eu hoje estou sofrendo atrás das grades. Minha vida tá esbagaçada, mas sei que pra Ele eu ainda tenho jeito.
A estudante se despede, pois o adolescente infrator será recambiado para uma casa de internação a fim de seguir cumprindo as tais medidas socioeducativas, só que atrás das grades.
– Muito obrigada pela entrevista e espero vê-lo de novo, quem sabe transformado e fora do cárcere.

Maiane tirinha

Formada em Letras Vernáculas pela Uneb/campus X
Pós-graduada em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura/ Uniasselvi
Pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos (Eja) / Uneb