Candidatos não disfarçaram tensão durante debate

dilma-x-aecioO especialista em linguagem corporal Paulo Sergio de Camargo detectou a tensão de um confronto de boxe no debate no SBT e viu pontos fortes e fragilidades em Dilma Rousseff e Aécio Neves.

“Muitas vezes eles não conseguiram disfarçar a face de raiva. Se eles estivessem mais próximos fisicamente…”, brinca Camargo, autor de “Linguagem Corporal” (Summus, 2010).

Como em debate do primeiro turno, a Folha convidou o especialista a analisar os gestos dos candidatos. Segundo pesquisas de psicologia e marketing político, eleitores estão a todo momento julgando a mensagem que os corpos dos aspirantes a cargos públicos “falam”.

Ganham pontos os gestos que passam empatia e aproximam o espectador. Perdem aqueles que são percebidos como sinais de arrogância, tensão e nervosismo.

Para o especialista, a petista Dilma controlou melhor a expressão de enfado com que costuma receber as perguntas dos oponentes. Ainda assim, não a conseguiu eliminar por completo.

Entre seus pontos positivos, Camargo destaca o gesto em que, com a palma aberta, toca o peito. “É positivo. Toma responsabilidade para si. O governo sou eu.”

Em muitas vezes, a presidente entrelaçou os dedos, os braços, tocou o pescoço e até apoiou a mão no queixo. Segundo Camargo, esses são “gestos adaptadores”, quando quem discursa toca o próprio corpo para tentar controlar a tensão. O problema é que, às vezes, esse comportamento piora a fala, diz ele.

Já Aécio levou a melhor, na opinião de Camargo, por causa do formato escolhido pelo SBT, em que ambos os candidatos estavam sentados.

“Ele é mais à vontade. Ele chamava a câmera para si. É positivo.”

Para o especialista, o ponto mais delicado para Aécio foi responder sobre a participação de sua família. Camargo descreve: ele juntou as mãos em formato de cunha, mas, ainda assim, era perceptível a tensão e o tremor na ponta dos dedos.

“Ao final do debate, Aécio levanta e Dilma permanece sentada, de ombros arqueados. Isso passa imagem de cansaço, de derrota”, concluiu Camargo.

Dilma teve queda de pressão após o debate, mas se recuperou em seguida.

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