Campus Party Bahia revela expansão do setor de tecnologia no estado

A realização da Campus Party Bahia, entre 9 e 13 de agosto, mostra o crescimento e o amadurecimento do setor de tecnologia baiano e tem potencial para dar mais visibilidade a pequenas e novas empresas, afirmam especialistas. O evento é considerado a maior experiência tecnológica do mundo e reúne aficionados por tecnologia, inovação, robótica, empresários e investidores.

Ramon, Neto e mais três sócios vão levar a experiência da Alpha Centauri para o evento. Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE

Entre as empresas baianas que vão participar estão startups, em diferentes estágios de desenvolvimento, que foram selecionadas para a área Startup & Makers. O setor vai expor 40 projetos, a maioria baianos. Segundo o curador da área na Campus Party Bahia, Vinícius Machado, o número de inscrições demonstra que o setor de startups e de tecnologia na Bahia está em fermentação.

“Em Salvador tem o Acarajé Valley, que é uma comunidade empreendedora de startups de base tecnológica. Achei expressivo o número de inscrições. Dá trabalho para a gente selecionar entre tantos talentos diferentes. Não importa onde o empreendedor esteja, a galera maker é antenada, está sempre criando soluções locais e soluções que servem para o Brasil e o mundo”, afirma Vinícius Machado.

Ainda não há um censo específico para as pequenas empresas baianas da área de tecnologia. No entanto, um mapeamento feito pelo site StartupBa aponta que o ecossistema do setor possuiu, pelo menos, 59 empresas já criadas, além de ser composto por duas aceleradoras, quatro incubadoras, além de consultorias e ambientes de coworking, que geralmente são usados por quem está começando. O Sebrae-BA já atendeu, desde 2015, 70 delas em seu projeto de apoio a startups.

Do app CabeloPoo, Yargo e Thallita enxergam o evento como uma vitrine (Foto: Mila Cordeiro | Ag. A TARDE)

Uma das empresas selecionadas para a Campus Party Bahia foi a Alpha Centauri. Criada pelos sócios Ramon Santos, Renato Leal, César Júnior, Neto Dias e Tiago Xavier, a empresa inscreveu o projeto Music Touch, um sistema integrado de gestão voltado para o setor musical que pretende reunir músicos, produtores, casas de show e viabilizar novos negócios. A intenção é aproveitar o espaço e atrair investidores.

“A nossa inscrição vem como um processo contínuo por busca pelo aprendizado e pelo entendimento do que é empreender. Além disso, é uma oportunidade, pela abrangência da Campus Party, de ter investidores, pessoas que tenham capacidade financeira de investir dinheiro e obter retorno com nosso projeto”, afirma Ramon Santos.

Além disso, muitos enxergam a área de Startup & Makers como uma vitrine. É o caso dos desenvolvedores do aplicativo CabeloPoo, dos baianos Thallita Bezerra e Yargo Carvalho, voltado para cuidados pessoais, que tem uma base de 28 mil usuários, a maioria deles em outros estados do Brasil que não a Bahia, onde surgiram.

“É bom conseguir exibir o projeto para a sociedade, ter avaliação dos mentores (da Campus Party), além de poder pintar uma oportunidade de investimento. Nosso principal objetivo é ganhar espaço no mercado, voltado para o público feminino. O evento traz visibilidade”, diz Yargo.

>> Mais sobre a Campus Party Bahia no site http://brasil.campus-party.org/bahia/

Quem cria soluções para pequenos empreendedores ganha destaque

Apesar de ser a menina dos olhos do setor, por solucionar problemas específicos e ter alto potencial de crescimento,  startup não é o único tipo de empresa de tecnologia que tem destaque no estado. Segundo o gestor do projeto de startups do Sebrae Bahia, José Soares, os segmentos de infraestrutura de redes, fábricas de softwares e robótica estão dentro do boom que motiva a realização de eventos especializados.

Entre as áreas em crescimento estão aquelas empresas que se especializaram na criação de soluções tecnológicas para pequenos empreendedores, como desenvolvimento de softwares de gestão. “Empresas que se voltam para esse mercado conseguem oferecer custos menores e soluções competitivas quando o cliente  final é uma micro e pequena empresa”, afirma Soares.

Um dos polos baianos de desenvolvimento, depois de Salvador, que concentra a maioria das empresas, é  Feira de Santana. De acordo com o secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação,  Vivaldo Mendonça, um dos objetivos de fomento atuais é aumentar o apoio a empresas no interior. “A visão que temos é que a Bahia é um campo de oportunidade de incubação.  Com o Parque Tecnológico, o Senai-Cimatec e a presença das universidades, foi criado um ecossistema competitivo”.

Maturação do negócio

Em um estágio mais desenvolvido e fundada em 2014, a Editora Viva criou uma plataforma educacional voltada para conteúdos, com oito aplicativos já lançados, nas  áreas jurídica, médica e, no futuro,  de educação financeira. Eles surgiram como uma startup  e já percebem o rápido  crescimento. A maturação do negócio, segundo Rafael Santos, um dos sócios da Editora Viva, mostra como a cultura de empresas de tecnologia tem potencial de se desenvolver. “Resolver um problema por meio da inovação e da tecnologia foi como surgimos e é assim que nós caminhamos”.