Brinquedos ligados à internet podem afetar segurança das crianças

Alerta foi feito por relatório do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia

A privacidade e segurança das crianças e famílias pode estar ameaçadas com a proliferação de brinquedos ligados à internet, alerta um relatório do Centro Comum de Investigação da Comissão Europeia, divulgado nesta quinta-feira (23).

No documento, o centro defende a necessidade de monitorar e controlar a emergente “internet dos brinquedos” e destaca como principais áreas de preocupação a segurança e a privacidade, tendo em conta que há novos brinquedos que podem gravar, armazenar e partilhar informações sobre as crianças.

Grande número de brinquedos conectados foram postos à venda nos últimos anos, devendo o volume de negócios deste novo segmento de mercado chegar aos 30 bilhões de euros até 2020, contra 2,6 bilhões em 2015.

A “internet dos brinquedos” surge sob diferentes formas – desde relógios inteligentes a ursos de pelúcia que interagem com as crianças. Estão ligados à internet e, em conjunto com outros aparelhos, formam a “internet das coisas”, levando a tecnologia para a casa das pessoas como nunca antes.

Uma equipe de cientistas do centro e especialistas internacionais analisou as questões de segurança e privacidade e ligadas à socialização decorrentes da ascensão da “internet dos brinquedos”. E convida, no relatório, os especialistas políticos, da indústria, os pais e os professores a estudar a questão em profundidade, para proporcionar uma estrutura que garanta que esses brinquedos são seguros e benéficos para as crianças.

Na área da robótica, diz-se no documento, são cada vez mais os brinquedos robóticos ou com inteligência artificial, embora ainda se saiba pouco sobre as consequências da interação dos mais jovens com os brinquedos, sendo possível que representem uma oportunidade, mas também um risco, para o desenvolvimento cognitivo, socioemocional e desenvolvimento moral e comportamental.

Parecendo certo que podem por exemplo ajudar na aprendizagem de línguas estrangeiras, ou em casos como o autismo, pode ser também certo que podem aumentar o risco de “bolhas educacionais”, onde as crianças só recebem informação que se ajustam aos seus interesses pré-existentes, como acontece na interação dos adultos nas redes sociais.

Outra questão levantada pelo relatório diz respeito à forma como os dados recolhidos pelos brinquedos são analisados, manipulados e armazenados, que, diz-se no documento, não é transparente e representa uma ameaça emergente para a privacidade das crianças.

Lembra o relatório que os dados fornecidos pelas crianças enquanto brincam, como sons, imagens e movimentos registrados pelos brinquedos “online” são dados pessoais, protegidos pela lei.

Outra preocupação registrada no documento, esta de mais longo prazo, relaciona-se com o crescimento numa cultura em que seguir, registrar e analisar as escolhas diárias das crianças é considerado normal mas pode moldar o comportamento e o desenvolvimento dos jovens.

No relatório apela-se à indústria e aos políticos para criarem uma estrutura que atue como um guia de utilização da tecnologia, forma de ajudar também os fabricantes a enfrentarem os desafios do novo Regulamento Europeu de Proteção de Dados, que entra em vigor em maio de 2018 e que aumenta o controlo dos cidadãos sobre os seus dados pessoais.

O documento apela ainda para que os pais entendam como as crianças interagem com os brinquedos em rede e quais os riscos e oportunidades para o desenvolvimento, além de se informarem sobre as capacidades, funções, medidas de segurança e configurações de privacidade dos brinquedos, antes de os comprar. Com informações da Lusa.