BLW: tire as principais dúvidas sobre o método

crianca-blwO BLW, Baby Led-Weaning é um método de introdução alimentar que vem conquistando cada vez mais adeptos no Brasil e no mundo. A proposta é simplesmente deixar que o bebê se alimente sozinho, pegando a comida com as próprias mãos e comendo o que quer e quanto quer. Os defensores da ideia afirmam que com isso o bebê passa a ter uma relação prazerosa e natural com a comida, além de despertar a autonomia, a coordenação motora e a exploração sensorial dos alimentos.

Mas e o bebê não engasga? Como vou saber se ele está se alimentando bem? Veja as respostas para as principais dúvidas aqui:

Ouça uma entrevista com a nutricionista Laiz Guedes Daminelli sobre o assunto:

 Quais são as vantagens do método?

Segundo a nutricionista Laiz Guedes Daminelli, a principal vantagem é permitir que o bebê tenha um contato maior com a textura, o cheiro e a cor de cada alimento. Conhecendo cada um, ele tende a desenvolver uma alimentação mais saudável no futuro. Outro benefício é o estímulo à mastigação, que é maior do que com a papinha, já que, para engolir, a criança precisa movimentar o alimento na boca. Com isso, o desenvolvimento de todo o trato digestório acontece naturalmente.

O bebê não engasga?

A nutricionista pediátrica Tina Schallhorn orienta os pais a prestar atenção ao desenvolvimento do bebê. “A introdução alimentar não deve ser feita com base na idade do bebê, mas sim no fato do bebê ter se desenvolvido o sufiente para poder experimentar as comidas sem o risco de engasgar”. O primeiro requisito é saber se sentar sozinho. Depois, ter a coordenação motora para colocar os alimentos na boca e empurrar com a língua para a garganta. Ela explica que o bebê desenvolvido tem um mecanismo de proteção conhecido por gag reflex que é a habilidade de mover a comida de perto da garganta para a parte da frente da boca, evitando o risco de engasgar. O reflexo, parecido com o de uma ânsia de vômito é, geralmente, mal interpretado como engasgue, na opinião da nutricionista, mas é, na verdade, um sinal de que o bebê está apto para se proteger do incidente. Para diminuir o risco de engasgue é recomendado que as primeiras comidas sejam mais macias e fáceis de pegar.

Como garantir que o bebê vai ingerir todos os nutrientes necessários para se desenvolver bem?

De acordo com a nutricionista Laiz Guedes Daminelli, esse não deve ser um motivo de preocupação para os pais. “Até o primeiro ano de vida da criança, o principal alimento é o leite. Os três primeiros meses são um momento de experimentação”, defende. Ela explica que o leite materno ou em fórmula contém todos os nutrientes necessários para o pleno desenvolvimento do bebê e que essa fase deve ser encarada como um momento de adaptação apenas. “O alimento é apenas o complemento”, conclui. A única excessão é o ferro, pontua Tina Schallhorn. Segundo ela, depois dos seis meses de vida, é importante oferecer alimentos ricos em ferro, por meio do BLW, porque o leite materno inibe a sua absorção. “Contudo, o pouco ferro que o leite materno oferece é muito melhor absorvido do que em muitos alimentos sólidos”, destaca.

Depois dessa fase de introdução, a família deve continuar com o método?

O método evolui de acordo com o desenvolvimento do bebê. Com um ano, a criança já come a mesma comida da família e, por conta dessa relação saudável com os alimentos, já tem uma grande autonomia e um bom hábito alimentar: “A grande diferença de uma criança que faz BLW para uma que faz alimentação tradicional é que a criança do BLW com um ano e meio provavelmente já vai estar se alimentando sozinha”, afirma Laiz.

O método vale para crianças que já começaram a introdução com papinha mas não tiveram sucesso?

“Eu já tive alguns casos de sucesso nesse sentido”, afirma Laiz Daminelli. “Ás vezes, colocar esses alimentos ali, na frente dela, vai fazer com que ela queira descobrir esse alimento, que antes era simplesmente uma colher entrando na boca. Então, vai fazer com que ela coma melhor”.

Como os alimentos devem ser preparados?

A maior parte dos alimentos deve ser preparada no vapor, ou cozido, ao ponto de que não se desmanche. As carnes e peixes podem ser grelhadas. O ideal é que sejam cortados em um formato de palitinho, no tamanho que a criança consiga segurar e ainda sobre uma ponta para ser introduzida na boca. Na opinião da administradora Bruna Golegã Kaitzor, mãe do Pedro de 10 meses, além de estimulante para o bebê, o método facilitou sua rotina: “Achei muito mais prático do que ficar cozinhando papinha”.

Quais são os principais cuidados que as famílias devem ter?

O principal cuidado é a observação, na opinião de Laiz Daminelli. Ela aconselha que as famílias estejam sempre atentas a possíveis reações na pele, assaduras (que podem ser relacionadas aos alimentos), notar as preferências da criança, ficar atentas ao gag reflex e ter o bom senso principalmente para perceber que o BLW não deve ser uma regra restrita. Pode acontecer de o bebê não estar disposto, por conta do nascimento dos dentes, por exemplo, e daí precisa da ajuda do responsável pontualmente.

E quanto à sujeira?

A dica é usar um plástico para reduzir a sujeira no chão e deixar para dar o banho depois das refeições. Mas é preciso aceitar que a bagunça faz parte do processo. A criança, inevitavelmente, vai passar o alimento no rosto, no cabelo, faz parte do desenvolvimento sensorial