Após investigação, Fifa mantém sedes das Copas de 2018 e 2022

Russia_2018_World_CupDepois de dois anos de investigações, a Fifa anunciou que não houve “nenhuma violação ou descumprimento de regras” no processo de escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018, na Rússia, e de 2022, no Catar, e decidiu manter as próximas Copas nos respectivos países.

O inquérito que apurou denúncias de compra de votos, corrupção e favorecimento nas candidaturas dos países-sedes foi conduzido pelo advogado Michael Garcia traz mais de três mil páginas com depoimentos, documentos e relatos sobre as eleições conjuntas. O relatório final contém 430 páginas e foi resumido em um documento de 43 páginas, publicado pela Fifa em seu site oficial.

Em 2012, o jornal inglês Sunday Times relatou que integrantes da campanha catari teriam pagado para que delegados apoiassem a candidatura do país para receber a Copa do Mundo de 2022. As investigações começaram naquele ano, ouvindo representantes de comitês de todos os países que se inscreveram, membros da Fifa e pessoas que participaram da votação, que, pela primeira vez, elegeu sedes para dois Mundiais em um mesmo ano.

Em comunicado oficial, o presidente da Comissão de Ética da Fifa, o alemão Hans-Joachim Eckert, aponta que “os eventuais incidentes que possam ter ocorrido (durante as eleições) não comprometeram a integridade dos processos de candidaturas dos Mundiais de 2018 e 2022”.

Após o pronunciamento da Comissão de Ética, a Fifa disse estar “satisfeita com o desfecho do caso” e garantiu que “vão prosseguir os preparativos dos Mundiais da Rússia e do Catar”, cujas candidaturas foram escolhidas em dezembro de 2010.

A entidade máxima do futebol mundial prometeu adotar “as recomendações feitas pela comissão no que diz respeito a futuros processos de candidatura”. Entre as sugestões então a limitação no número de candidaturas que alcancem a final – no máximo três, diferentemente das quatro que chegaram até o fim da última vez e proibição de viagens dos membros que tiverem direito de voto aos países candidatos.

O Catar foi escolhido como anfitrião do Mundial de 2022 após quatro votações. Após as sucessivas eliminações da Austrália, Japão e Coreia do Sul, o Catar venceu a candidatura dos Estados Unidos por 14 votos contra oito.

A Rússia ganhou a corrida à organização do Campeonato do Mundo de 2018 numa segunda votação, depois de a Inglaterra ter sido eliminada na primeira, com um total de 13 votos, contra sete da candidatura ibérica (Portugal e Espanha) e dois do projeto conjunto entre a Holanda e a Bélgica.

No final de setembro, a Fifa informou que o relatório final elaborado pela Comissão de Ética sobre a escolha das sedes das Copas do Mundo de 2018 e 2022 não seria publicado na íntegra, a fim de garantir a confidencialidade das fontes.

O responsável pelas investigações, Michael Garcia, defende a divulgação das 430 páginas da investigação, com cortes específicos para defender o anonimato das testemunhas que fizeram denúncias: “A decisão anunciada hoje [por Hans-Joachim Eckert] contém diversas representações incompletas e erradas dos fatos e conclusões detalhados no relatório do Gabinete de Investigação. Tendo a recorrer desta decisão para o Comitê de Recursos da Fifa”, anunciou, em nota.

O comitê de organização do Mundial de 2022 reagiu ao anúncio da Fifa garantindo que sempre esteve confiante, porque a sua candidatura “não continha qualquer irregularidade”: “Estávamos confiantes de que uma investigação neutra iria mostrar que a nossa candidatura era forte e não continha qualquer irregularidade”, afirmou o presidente do comitê organizador, Thawadi Hassan, à agência AFP. Com informações da Agência Lusa