ABORDAGENS DA COMPETÊNCIA TÉCNICA DO PROFESSOR

Maiane

A formação técnica do profissional de educação inserido na modalidade Eja vem sendo alvo de explanações e constantes críticas. Discutir a saga deste educador envolvido com um grupo de alunos desprestigiados, quanto às suas habilidades linguístico-discursivas, é crucial para a elaboração de representações do que seja um professor autônomo, bem como do impacto de sua prática pedagógica na vida escolar dos alunos.

Cagliari (1999) defende o ideário de um professor polivalente, que ao preparar-se artisticamente para alfabetizar os alunos, sem mágicas ou devaneios, recorre primordialmente à competência técnica, apresentando-lhes o funcionamento da linguagem escrita, leitura e fala, além dos recursos que devem lançar mão no ato de decodificar e codificar os fonemas/grafemas.

Com efeito, o professor é aquele que dispõe dos conhecimentos indispensáveis à teorização da prática de alfabetizar, iniciando os alunos neste percurso inequivocamente, sem fazê-los queimar etapas, ou ainda sem torná-la tarefa traumática para os mesmos, nesse sentido “um aluno precisará descobrir, por conta própria _ porque é falante da língua portuguesa, sendo capaz de refletir sobre o funcionamento de sua fala e da fala alheia e de decifrar a escrita_, muitas informações, sem as quais não poderá tornar-se um leitor.” (CAGLIARI, 1999).

Nestas circunstâncias, a competência técnica requer um envolvimento do professor com a pesquisa, análises e estudos sistemáticos da prática de alfabetizar, de tal maneira que o professor se sinta seguro e confiante em conduzir o seu trabalho em sala de aula, os critérios a serem adotados neste interregno,  antevendo conflitos e/ou situações-problemas inerentes à práxis e reflexão da leitura/ escrita. A este respeito Cagliari ( 1999) esclarece-nos acerca das ferramentas utilizadas pelo professor autônomo:

Um professor competente saberá avaliar quais livros didáticos são úteis e interessantes e se trazem erros  e omissões de questões importantes ao ensino. O professor precisa libertar-se das pessoas que apresentam soluções miraculosas num livro ou método. Mas para isso, para que esta autonomia possa se sustentar, deverá ser realmente competente e um especialista em sua área.

             Ser um “especialista em sua área” implica a incessante busca pelo saber necessário para alfabetizar, descobrindo nas obras de linguística aplicada à alfabetização, ou de áreas diversas, como, fonologia, semântica, sociolinguística, latim, a resposta para questões prementes relacionadas à prática alfabetizadora, aplicando os conhecimentos adquiridos à sala de aula,  na tentativa de dirimir eventuais falhas ou dificuldades enfrentadas pelos alunos, conscientizando-se do seu papel de professor  e da sua competência.

Maiane tirinha

Formada em Letras Vernáculas pela Uneb/campus X
Pós-graduada em Ensino de Língua Portuguesa e Literatura/ Uniasselvi
Pós-graduada em Educação de Jovens e Adultos (Eja) / Uneb