5 minutos de vaias: protesto da APLB marca 7 de Setembro em Teixeira

O desfile de 7 de Setembro em Teixeira de Freitas/BA, como em muitos locais no Brasil, foi marcado por reivindicações.  Aqui, nem mesmo a estrutura montada em cima da hora e a tática de trazer Ramiro Guedes e Jader Pereira para realizar a locução do evento abafaram o fato tido como mais cívico de todo o desfile. 7 de setembro

O evento aconteceu, como de costume, na avenida Marechal Castelo Branco, com o palco principal montado em frente ao Supermercado Faé. A Banda Marcial do Colégio da Polícia Militar Anísio Teixeira (CPM) abriu o desfile, que começou por volta das 9 horas, seguida por pelotões da própria escola e do 13º Batalhão, que entrou em alas. Os Bombeiros levaram seus carros para a avenida e a Guarda Municipal fez uma homenagem ao secretário Municipal de Segurança com Cidadania Bartolomeu Calheiros, que se recupera de uma cirurgia. Homenagem também foi feita aos 30 anos do 13º BPM.SONY DSC

A Pestalozzi levou para a Avenida homenagens aos artistas plásticos da terra- destacando Gilberto Bahia e Irley de Jesus Leal. O prefeito João Bosco também foi homenageado e recebeu flores, enquanto os meninos e meninas da Pestalozzi levavam amostras de mudas nativas pelo desfile. Nascimentos, Guerras, Oliveiras e outras famílias pioneiras também foram lembradas.

O Instituto Francisco de Assis foi um dos destaques da avenida. Outro momento marcante deste 7 de setembro foi a passagem da percussão do Peti, regida pelo maestro Fofão. Os meninos e meninas encantaram o público e conseguiram muitos aplausos.

Os idosos do grupo Paz e Amor também passaram pela avenida, acompanhados pelo cantor Marcelo Calazans. O pelotão destes senhores e senhoras abriu espaço para a vinda da Banda Marcial de Teixeira de Freitas. O maestro Gutierres contou que a preparação deles se deu e tempo recorde e que bastaram apenas 30 dias para que tudo estivesse ensaiado e afinado para a avenida.

O tema “Viva a diversidade histórica e cultural” ficou ainda mais evidente com a entrada da Escola Bom Pastor, a primeira unidade municipal em tempo integral de Teixeira de Freitas. Eles contaram a história da bandeira local, do nome do município e muito mais. O pelotão da educação municipal contou ainda com a participação de integrantes dos projetos.

O IF Baiano quebrou a formalidade do desfile ao levar instrumentos de sopro e executar Ziriguidum – música que marcou o carnaval 2013. Os cursos de Floresta, Hospedagem e Esportes também desfilaram. O Cetepes fez questão de participar e a cavalaria encerrou o ato cívico.

Entretanto,  o desfile de 7 de Setembro em Teixeira de Freitas/BA foi marcado pelo protesto dos professores da rede municipal de ensino, como já era esperado, pois, em assembleia realizada pela APLB/Sindicato, delegacia local, ficou decidido e foi amplamente divulgado.

A APLB entrou na avenida logo após o IFA, os educadores vestidos de preto, com apitos, máscaras e cartazes exigiam respeito da atual administração e cumprimento das promessas feitas à classe. Entre as principais falas nos cartazes e faixas destaca-se as que, indiretamente, chamavam João Bosco (PT) de ladrão e pediam que ele fizesse o repasse do dinheiro do Fundeb. O prefeito, recentemente, divulgou uma Carta Aberta, em que afirma que a sobra do Fundeb será usada na reforma e melhorias de escolas no município, não mais rateada entre os professores, como prometido outrora pelo gestor.jb2

Ao usar o microfone de um carro de som que acompanhava os manifestantes, a professora Brasília, presidente da APLB local, afirmou que o protesto era um grito de socorro da educação municipal, que se encontra em situação precária. O prefeito, por sua vez, quanto ao não rateio da sobra do Fundeb, o ápice da revolta da classe docente, declarou a um site de notícias da cidade que  respeita o movimento, mas, a decisão de não ratear foi estudada junto ao Tribunal de Constas do Município, e ficou evidenciado que a medida vai de encontro a Lei de Responsabilidade Fiscal. “Não posso caminhar na ilegalidade, a lei da responsabilidade fiscal não me permite”, teria comentado em entrevista o gestor petista.jb

Populares próximos ao palco se juntaram aos professores numa sonora vaia com duração de cerca de cinco minutos ao prefeito, que, emudecido, aplaudiu o protesto, mas, não conseguiu controlar as reações de seu corpo, ficando pálido e com um mecânico sorriso forçado durante todo o tempo. O ocorrido lembra episódio semelhante vivido pelo prefeito Apparecido Staut no final de sua gestão, quando também foi, por minutos a fio, vaiado, durante o desfile da Independência.

Por Pauta Diária, com informações Ascom PMTF